Arapongas - Representantes do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Móveis e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Arapongas apresentaram ontem denúncias contra fiscais da Subdelegacia Regional do Trabalho (DRT) de Londrina, advogados e empresários do setor moveleiro, sobre possíveis pressões patronais, conivência e imposição de mudança contratual. O presidente do Sindicato, Manoel Francisco da Silva, também prestou depoimento ontem junto à Polícia Federal (PF), sobre o inquérito aberto contra ele (com base em denúncias do DRT) de suposto saque ilegal do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).
O depoimento foi dado às 14 horas de ontem, na sede da PF em Londrina. Acompanhado do secretário da OAB-Arapongas e advogado do Sindicato, Adalberto Fonsatti, Silva apresentou documentos pessoais para o delegado Sandro Roberto Viana. ''Saquei o fundo de acordo com a lei. A Caixa Econômica só liberou o dinheiro mediante a ata de término de mandato do Sindicato'', afirmou Silva.
A PF também está investigando denúncias de prováveis negociações de propina e até mesmo a prisão de um fiscal do DRT em Andirá (em 1998), gravadas por Silva durante uma conversa entre ele e o ex-subdelegado do Trabalho de Londrina, Dorival Silvestre Arantes. ''A fita foi degravada, mas ainda está na perícia em Curitiba. Devemos instaurar inquérito, já o crime de concussão (extorsão cometida por um funcionário público) prescreve apenas em 12 anos'', afirmou o delegado-chefe da PF em Londrina, João Luiz do Prado. A Folha tentou falar com Arantes, mas não conseguiu contactá-lo.
O sindicalista ainda deixou cópias de ofícios e denúncias ligadas às indústrias moveleiras e também a cinco advogados das mesmas. Os documentos também foram protocolados na Procuradoria da República. Neles, foram citados sete ex-funcionários que teriam sido pressionados a acatar recisões trabalhistas impostas pelas empresas. ''Tem mais de 150 empresas moveleiras em Arapongas. De novembro pra cá, mas de 50 empresas foram denunciadas por funcionários. Estou trazendo documentos que comprovam a teimosia de certas empresas em querer mudar a regra do jogo. onde os advogados são os mesmos denunciados por prática de crime contra trabalhadores'', afirmou Silva.
O procurador da República em Londrina, Mário Ferreira Leite, disse apenas que iria analisar os documentos. Leite também preferiu não dar detalhes sobre o depoimento do delegado Regional do Trabalho no Paraná, Celso Costa, ouvido anteontem em Curitiba.

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