Paulo Pegoraro
De Cascavel
O vereador Geraldo Firmino da Silva (PTB), presidente da Câmara Municipal de Terra Roxa (132 quilômetros ao norte de Cascavel), teve o mandato extinto por decisão judicial. Silva e outros três ex-vereadores foram acusados de peculato, fazendo vales na tesouraria da Câmara alegando que estavam em ‘‘situação financeira arrochada’’. Eles fizeram vales durante todo o ano de 1993, logo após terem recebido o salário. Há vales superiores ao salário sem que a diferença tenha sido devolvida à Câmara.
Os outros implicados no caso são o atual vice-prefeito Pedro Sônego (PTB), Ademir Marsari e Braulino Borguezan que eram vereadores respectivamente pelo PFL e PTB. A decisão judicial, da Comarca local, proferida anteontem, resultará na declaração da extinção do mandato de Geraldo Firmino da Silva em sessão especial da Câmara que deve ser realizada hoje. A presidência da Câmara já é exercida por Genivaldo Magnoni Bortoli (PTB), que era o vice-presidente, e a cadeira de Silva será ocupada pelo suplente Willy Schmidt (PTB). Silva mora na zona rural, e não foi localizado ontem para falar sobre o assunto.
Não se sabe ainda se haverá enquadramento do atual vice-prefeito em relação ao cargo que ocupa, mas ele, Silva e os outros ex-vereadores foram condenados a devolver o montante dos vales, R$ 24 mil. Também por decisão judicial, eles tiveram seus bens colocados em indisponibilidade. O caso foi à Justiça a partir de mobilização da comunidade que exigiu a punição de práticas ilegais na Câmara. Uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara não responsabilizou os implicados.
A CEI foi presidida por um dos envolvidos, Pedro Sônego, embora uma perícia contábil feita nas contas da Câmara tenha indicado a existência das apropriações indébitas somando R$ 6.017 (valor da época). Geraldo Firmino da Silva foi o campeão de vales. Ele e os demais chegaram a ser afastados dos cargos. Braulino Borguezan era o presidente da Câmara, cargo que também já havia sido ocupado por Geraldo Firmino da Silva, e Ademir Marsari era o secretário, por isso tinham facilidade para fazer e liberar os vales.
Na defesa apresentada à Justiça Geraldo Firmino da Silva e Ademir Marsari afirmam que não agiam de má-fé e admitem que, no máximo, poderia ter havido ‘‘simplesmente um lamentável descontrole das retiradas’’. Eles argumentam também ‘‘todos devem reconhecer que a atividade do vereador que defende os interesses e amarguras de nossa gente é por demais espinhosa, e diariamente ele lança mão de seus recursos financeiros para cobrir tantas e tantas despesas’’.

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