Lúcio Flávio Moura Especial para a Folha
O promotor Luiz Francisco Marchiorato entregará hoje ao prefeito de Foz do Iguaçu Harry Daijó (PPB) ofício exigindo que a lei municipal número 1.821/93, que determina a adaptação do transporte coletivo urbano para o uso por deficientes físicos, seja regulamentada em 15 dias. A lei foi aprovada pela Câmara de Vereadores em dezembro de 1993, mas nunca foi cumprida.
O Ministério Público está atendendo uma solicitação formal da assistente de bibliotecária paraplégica Isaura Lonheski, 26 anos, feita anteontem. ‘‘Cansei de enviar correspondência ao prefeito e agora quero ajuda da Justiça para que possa usar o ônibus com mais facilidade. Só quero que o Estado me assegure o direito de ir e vir’’, diz Isaura. ‘‘Outros paraplégicos também têm vontade de fazer o mesmo, mas têm medo de perseguição’’, afirma Isaura, funcionária da Escola Estadual Paulo Freire, na Vila C (região norte).
Em janeiro, uma reportagem da Folha revelou que nenhum dos quatro ônibus adaptados pelas empresas de transporte coletivo de Foz estava atendendo adequadamente os passageiros deficientes físicos. A prefeitura não construiu rampas de acesso nos pontos, motivo alegado pelas empresas para não realizar o serviço.
‘‘Na prefeitura, sempre me disseram que não faziam as obras por falta de verbas’’, conta Isaura, que é vice-coordenadora da Fraternidade Cristã dos Deficientes Físicos (FCD), entidade ecumênica internacional que luta pelos direitos dos portadores de deficiência. Segundo a FCD, Foz do Iguaçu tem cerca de 1,5 mil deficientes físicos.
O prefeito Harry Daijó disse à Folha que as obras estão sendo feitas lentamente. ‘‘A prova de que nos preocupamos com os deficientes é que aproveitamos as reformas do Estádio ABC para implantarmos um conjunto de rampas para que quem usa cadeira de rodas também possa acompanhar a Seleção Brasileira durante os treinos para a Copa América’’, comentou o prefeito.
Daijó garantiu que assinará, até o final do mês, um decreto contendo um conjunto de medidas que facilitará a acessibilidade do deficiente aos equipamentos do serviço público municipal, entre eles os de transporte coletivo.
No entanto, Isaura lembra que outra medida indispensável para o bem-estar dos deficientes seria um treinamento mais adequado de motoristas e cobradores. ‘‘Eles já me confessaram que não sabem operar os elevadores instalados nas portas dos ônibus’’.

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