Justiça do Trabalho é elogiada em correição
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 04 de março de 1997
Célia Baroni 
O trabalho das cinco Juntas de Conciliação e Julgamento da Justiça do Trabalho, em Londrina, é excelente e os profissionais, de primeira linha. O elogio é da juíza de carreira e corregedora regional da Justiça do Trabalho, Adriana Nucci Paes Cruz. A corregedora está em Londrina há uma semana para fazer a Correição Regulamentar determinada pelo regulamento interno da Justiça Federal.
Nos primeiros dias da correição, a juíza já detectou a sobrecarga de processos e a carência de estrutura humana. Dois problemas que existem em todo o País, mas que aqui está sendo particularmente bem contornado, afirma Adriana Nucci Paes Cruz. Só no ano passado deram entrada no Fórum da Cidade 9.500 novos processos trabalhistas - 1.900 processos por junta. O número é 30% maior que o máximo permitido em lei para ser julgado por um juiz, por ano.
A consequência, esclarece a corregedora, é a redução do ritmo do andamento dos processos. Ela explica, no entanto, que mesmo se fosse possível criar uma uma nova junta hoje, seria insuficiente para adequar o volume de processos ao recomendado pela lei. Para a juíza, o principal problema enfrentado pelas juntas é a falta de servidores. Adriana Nucci Cruz afirma que todas funcionam com um número bem inferior ao necessário para atender a demanda.
A juíza lembra que o número de servidores da Justiça Federal, lotados nas 61 juntas do Estado, é o mesmo que havia quando o Paraná contava com apenas 23 juntas. As juntas sofrem sangrias contínuas para suprir outras onde, eventualmente, há menos funcionários. Se fôssemos criar uma nova junta não teríamos funcionários para ela.
O problema da falta de servidores, diz, só vai ser equacionado quando dois projetos abrindo concurso para a contratação forem sancionados pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. A juíza adianta que, pelo menos a médio prazo, o número de juízes deverá ser suficiente. E um concurso para a contratação de 18 novos juízes já está em andamento.
Hoje, a maioria dos juízes de primeira instância tem idade inferior a 40 anos, o que, na opinião da corregedora, não reduz a qualidade do profissional e é positivo para a eficiência e agilidade do sistema. O idealismo e vontade de fazer são atributos implícitos ao jovem. Para ingressar na carreira o profissional precisa ter formação adequada e passar por treinamento específico e isto garante a sua capacidade de atuar. A correição começou no dia 29 e prossegue até quinta-feira.


