Londrina

Paulo WolfgangIlegalidadeMárcia deixa a casa, em companhia de oficial de Justiça: suspeita confirmada de ocupação de terreno público para especulaçãoA Justiça cumpriu ontem à tarde mandato de reintegração de posse contra Ivonete Maria da Silva e tomou de volta o lote situado na quadra 13, lote 2, no assentamento do jardim Olímpico 2 (zona oeste). No local, também foi construída pela ex-proprietária uma casa com dois cômodos e estrutura para banheiro. A Cohab constatou que Ivonete já tinha sido contemplada recentemente com outro imóvel, na vila Marísia (zona norte), através do ‘‘Programa Mutirão’’, e não poderia acumular terreno público.
A suspeita de que Ivonete teria se apossado do terreno do Olímpico para alugar ou vender foi confirmada por Márcia Gonçalves da Silva, 22 anos, que ocupava a casa quando o oficial de Justiça chegou com o mandato. ‘‘A Baiana (apelido de Ivonete) falou que vai vender a casa para a gente. Ela pediu R$ 2 mil, que é o material que ela gastou. Ela falou que a gente vai poder pagar do jeito que der.’’
Anteontem, Ivonete garantiu para a reportagem da Folha que a casa não estava a venda e que ela teria comprado o lote no Olímpico, há cerca de um ano, para ajudar o companheiro, que tinha saído de casa por causa de brigas com o filho dela de 15 anos. Além de construir a casa no Olímpico, estava promovendo uma grande reforma na casa do Marísia: aproveitando a estrutura da casa que recebeu da Cohab, ela começou a levantar um sobrado.
Márcia Gonçalves mora com os três filhos (um deles com apenas 15 dias de idade) mais os pais dela, há quatro meses, em um barraco ao lado do lote de Ivonete. Segundo ela, o barraco dos pais tinha ficado muito apertado para toda a família. ‘‘Eu durmo no chão com as crianças. Meu marido está trabalhando em Ribeirão Preto.’’
O assessor social da Cohab, Humberto Rodrigues de Lima, afirmou que a Companhia fará a ficha cadastral de Márcia para que ela possa entrar no programa de lote popular (desfavelamento). Segundo ele, Londrina tem hoje aproximadamente 1,3 mil famílias na fila de espera, aguardando uma área para morar.

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