Pelo menos quatro menores da Unidade Social Oficial de Internação de Londrina (Usoil, mais conhecido como Educandário) devem ser transferidos em breve para educandários de outras cidades do Paraná. Segundo a promotora da Vara da Infância e Juventude, Edina Maria de Paula, a determinação é do juiz Ademir Richter e tem como objetivo conter as constantes rebeliões registradas na unidade, como na noite de anteontem, quando o Pelotão de Choque da Polícia Militar (PM) foi novamente acionado. De acordo com o interventor do Educandário Márcio Filla, não houve confronto entre os policiais e os menores.
A promotora e o interventor participaram ontem, na Câmara de Vereadores, de um encontro para discutir os problemas do Educandário. A reunião foi organizada pela Comissão dos Direitos da Criança e do Adolescente do Legislativo. Ontem, até o início da noite, a comissão da Criança e do Adolescente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) ainda estava no Educandário de Londrina, ouvindo funcionários. O objetivo da visita, que também vai acontecer em outras unidades do Estado, é realizar um diagnóstico das instituições e levantar propostas de mudanças no sistema sócio-educativo dos educandários do Estado.
A Justiça acredita que menores oriundos do Educandário de Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba) estejam incentivando os tumultos. ''O juiz já determinou a transferência dos menores que vieram da Capital'', confirmou a promotora, que no entanto não soube dizer para onde eles serão levados. ''Temos que afastá-los daqui, pois são eles que estão incentivando as rebeliões entre os internos'', completou. Com capacidade para 70 adolescentes, o Educandário abriga pouco mais de 50 menores, sendo que seis deles são de Curitiba. Outros quatro são de Cambé (13 km a oeste de Londrina) e um é de Foz do Iguaçu.
Ainda segundo Edina, o tumulto registrado anteontem teria começado por causa de menores que estariam sendo ameaçados de morte por outros internos. ''O prédio não oferece condições de segurança para os adolescentes ameaçados. Apesar de ser dividido em alas, eles têm contato constante'', explicou a promotora.
Após o fim da rebelião de anteontem, o interventor aproveitou a presença do Choque no local para fazer uma nova revista, quando foram encontrados vários estoques e estiletes, produzidos com barras de ferro retiradas das janelas. ''Depois da revista, já dividimos os internos em grupos menores e os realocamos nas alas. Assim, poderemos iniciar as reformas previstas antes da intervenção na semana que vem'', afirmou.
A última operação semelhante havia sido realizada há menos de 48 horas, quando vários outros estoques haviam sido retirados da unidade pela PM. Na noite de anteontem, técnicos da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) foram acionados para retirar as barras que sobraram nas janelas. ''Isso deve pelo menos diminuir os riscos de produção de novas armas'', disse Filla.
Desde que recebeu os primeiros menores, em julho, o Educandário já contabiliza 10 fugas e número semelhante de situações de tensão. A primeira rebelião com fuga aconteceu após 15 dias de funcionamento.

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