A justiça deferiu, no último sábado, o pedido de reintegração de posse feito pelos proprietários da Fazenda Ribeirão Bonito, que fica em Abatiá (Norte Pioneiro). A área foi invadidada por mais de 100 famílias ligadas ao Movimento dos Agricultores Sem-Terra (Mast) na madrugada do mesmo dia.
  Segundo a assessoria jurídica da fazenda, que pertence ao grupo Sadeco, a juíza substituta da Comarca de Ribeirão do Pinhal, Franciele Estela Albergoni de Souza, deferiu o pedido de reintegração de posse e agora os proprietários aguardam que a área seja desocupada.
  No início da noite de sábado um oficial de justiça esteve na fazenda notificando os coordenadores do Mast. Segundo Áureo Cesar, um dos líderes do movimento, o grupo não pretende cumprir a ordem judicial. ‘‘Não vemos legitimidade nessa decisão. Estamos mobilizando mais famílias para vir pra cá e não vamos arredar o p钒, declarou.
  O advogado Alexandre Almeida, que representa a Sadeco, preferiu não comentar a declaração. Ele limitou-se a dizer que espera uma retirada pacífica. ‘‘Os proprietários da fazenda não querem nenhum tipo de violência. Esperamos que essas famílias saiam em paz’’.
  No sábado, o superintendente regional do Incra, Celso Lisboa de Lacerda, disse à reportagem da FOLHA que a invasão é lamentável, pois no último mês foram liberadas duas áreas na região de Jundiaí de Sul para assentamento de famílias do Mast e do MST. Conforme laudo do Incra, a Fazenda Ribeirão Bonito tem cerca de dois mil hectares, é produtiva e dedicada à criação de matrizes bovinas.
  Parte das famílias que estão acampadas na Ribeirão Bonito já estavam vivendo às margens da PR-439, ao lado da entrada da fazenda, há um ano e meio. ‘‘Nesse tempo o nosso convívio com os proprietários sempre foi muito bom, inclusive a água que utilizamos é da fazenda’’, disse Áureo César.
  Ele também informou que várias outras famílias estão chegando de diversas cidades da região. É o caso da lavradora Neusa Rodrigues, que estava acampada à beira de uma rodovia na cidade de Ventania (126 Km ao Norte de Ponta Grossa). ‘‘Minhas duas filhas e o meu marido estão vindo para cá. Cheguei primeiro para garantir o espaço’’, explicou.
  De acordo com o coordenador do Mast no local, o movimento é pacífico e tem a intenção de pressionar o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) a agilizar o assentamento das famílias. ‘‘Não queremos pressionar os proprietários da fazenda, mas queremos que o Incra acelere a reforma agrária’’, explicou César.

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