O Hotel Sahão, um dos mais tradicionais de Londrina, que se preparava para comemorar 50 anos no dia 29 de novembro, foi fechado, anteontem, por oficiais de Justiça. Motivo: falta de pagamento de aluguel nos últimos seis anos.
A ação de despejo foi movida pela Comércio e Indústria Sahão S/A, empresa em liquidação e proprietária do imóvel. Segundo Adyr Ferreira, advogado da empresa, o Tribunal de Alçada do Paraná ''ordenou por três vezes o despejo da empresa locatária''. A sentença definitiva, no entanto, saiu há cerca de dez dias e, de acordo com o advogado, ''agora é irreversível''.
''Essa imensa novela'', segundo Ferreira, ''da qual o despejo é apenas um capítulo'', começou em 1977, com o processo de liquidação da empresa Comércio e Indústria Sahão S/A. No decorrer do processo, os acionistas resolveram alugar o imóvel, a partir de 1996, para a Sahão Palace Hotel Ltda. Mas os aluguéis não foram pagos, afirmou Ferreira.
A advogada Marina de Oliveira, representante da Sahão Palace Hotel Ltda, contesta. De acordo com ela, nunca se conseguiu um acordo para pagamento ou parcelamento da dívida estimada em R$ 400 mil. ''Não existe um valor correto porque nunca houve um contrato de aluguel. Em 1995, um dos sócios queria cobrar R$ 30 mil por mês, valor que a atividade não comporta'', disse.
A advogada informou ainda que José Sahão, filho de Salim Sahão e atual administrador do hotel, depois do despejo ''não tem mais interesse em prosseguir a atividade''. De acordo com ela, os 46 funcionários do hotel não serão demitidos imediatamente, mas depois de 30 ou 60 dias. Os hóspedes que estavam no hotel foram remanejados para outros estabelecimentos, contratos e reservas foram cancelados.
Ontem, o advogado Ferreira entrou com uma petição na Justiça, pedindo formalmente a continuidade dos serviços, a partir da nomeação de uma administrador legal. ''Vamos tentar preservar os empregos'', afirmou. Na sua opinião, ''foi totalmente infeliz e precipitada a divulgação do comunicado ao público hoje (ontem), assinado pela direção do hotel, por meio dos jornais''. Isso só serviu, segundo acredita, ''para criar um clima de mal estar entre os funcionários e gerar uma imagem negativa do hotel para a comunidade em geral''. No final da tarde, o juiz da 8 Vara Cível, Marcel Luís Hofmann, determinou o arrolamento de todos os bens do imóvel, antes de apreciar a petição.
Segundo Ferreira, a liquidação da empresa proprietária, ''agora não deve demorar mais de seis meses, por conta da ação do atual liquidante, o advogado Nelson Galvan''. Terminado esse processo, as quotas da empresa poderão ser negociadas e o hotel, vendido ou arrendado. Para Ferreira, a demolição do prédio é a última alternativa. Ontem, a Folha tentou falar com Nelson Galvan, mas ele disse que não iria se pronunciar sobre o assunto.

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