Justiça determina despejo na Rocha Pombo
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quinta-feira, 20 de julho de 2006
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Depois de mais de 20 anos vendendo lanches na Praça Rocha Pombo (Área Central de Londrina), a ambulante Ana da Silva do Prado, 53 anos, estava inconsolável ontem porque ela e outros sete comerciantes que têm quiosques ou carrinhos de alimentos receberam uma ordem de despejo na última segunda-feira para deixarem o local. A decisão judicial, emitida pela 2 Vara Cível, é resultante de uma ação civil pública de responsabilidade por danos ao patrimônio histórico proposta em dezembro de 2000 pela Promotoria de Proteção ao Meio Ambiente. Os comerciantes têm 15 dias para apresentar recurso.
A atual promotora de Defesa do Meio Ambiente, Solange Vicentin, explicou que a determinação é para que os comerciantes que trabalham na Praça Rocha Pombo que compreende também a área da Rua Sergipe em frente ao Museu de Arte (antiga Rodoviária de Londrina) promovam a desocupação no prazo de 15 dias. ''O certo é que o bem é tombado e qualquer tipo de utilização tem que ser autorizado pela Divisão do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural do Paraná'', comentou a promotora. Seguindo lei estadual de 1953, a praça foi tombada em 1972. Agora, a prefeitura tem planos de restaurar o espaço em seu projeto original.
Conforme a promotora, a ação que foi proposta em 2000 visava justamente coibir que a praça fosse ocupada pelo Camelódromo, quando os ambulantes estavam sendo pressionados a deixar a Avenida São Paulo, ao lado do Terminal Urbano. São citados como réus a prefeitura, a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e a Associação dos Vendedores de Produtos Nacionais e Importados da Rocha Pombo, que representa os camelôs.
Ana, a vendedora de cachorro quente, se emocionou ao contar que foi pega de surpresa com a ordem de despejo. Precisou até ser hospitalizada, tamanho foi o susto. ''Sem isso aqui eu não como. É minha única fonte de renda'', lamentou. Maria Terezinha de Lima, 57 anos, também vende lanches há mais de uma década ao redor da praça e ficou ''sem rumo'' com a decisão da Justiça. ''Sou sozinha, sem marido e não tenho aposentadoria. Vou viver do quê sem isso aqui?'', questionou.
A família de Aparecida de Fátima Martins possui há mais de 30 anos um quiosque que comercializa bolsas na Sergipe e reclamou que ninguém sabia de nada até o início da semana. ''Acho que isso aconteceu quando os camelôs tomavam conta da rua. Só que a gente não tem nada a ver com eles'', argumentou. Ela e o proprietário do quiosque ao lado, que explora o mesmo segmento, já procuraram advogados para definir o que farão para tentar reverter a ordem de despejo. ''Queremos que pelo menos a prefeitura arrume um lugar para a gente ficar como fez com os camelôs'', observou.
Já a atendente Núbia Priscila Batel, 19 anos, estava apreensiva porque o corre o risco de ficar desempregada. Há seis meses ela foi contratada para trabalhar num quiosque na Praça Rocha Pombo. ''Acho que isso não foi justo porque os quiosques não têm nada com o antigo camelódromo'', reforçou. Todos os comerciantes e ambulantes ouvidos pela Folha pagam uma taxa de ocupação do local ou alvará à (CMTU).
A assessoria da prefeitura informou que a CMTU não iria se pronunciar porque a questão extrapolou a esfera administrativa e está sendo conduzida pela Justiça.


