Curitiba O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determinou que pelo menos 35% dos garis e coletores de lixo de Curitiba, que estão em greve desde segunda-feira, voltassem ao trabalho ainda ontem. Contudo, na parte da tarde, nenhum caminhão saiu da sede da Cavo, empresa responsável pelo serviço na cidade. O sindicato da categoria alegou que não conseguiu juntar os trabalhadores para que cumprissem a ordem judicial.
Já no turno da noite, que começou às 19 horas, os trabalhadores foram liberados para cumprir a decisão do TRT. O prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), disse pela manhã, durante o lançamento do projeto ''Cara Limpa'', no Salão Nobre da prefeitura, que não pretende intervir na greve. ''Trata-se de uma questão empresarial, e a prefeitura não vai intervir no processo. Estamos no aguardo de um acordo entre eles'', afirmou.
A empresa e o Sindicato dos Trabalhadores das Empresas de Asseio e Conservação (Siemaco) tentaram, durante a manhã, chegar a um acordo em audiência no TRT, porém a empresa não aumentou sua proposta de reajuste e os trabalhadores também disseram que não vão ceder. Por isso, a juíza do Trabalho, Vanda Santi Cardoso da Silva, determinou que 19 caminhões façam o trabalho de coleta emergencial durante o dia e 15 à noite, além de um caminhão e três coletores, mais sete varredores para a limpeza das feiras-livres. Dois mecânicos devem ficar de plantão na empresa para a manutenção de equipamentos e veículos. O lixo hospitalar deve continuar sendo recolhido. Em cada caminhão ficam três trabalhadores.
No final da tarde de ontem, a Cavo e os representantes do Siemaco tiveram uma nova audiência no TRT, porém não houve acordo e o dissídio será julgado hoje pela manhã, o que deve colocar um fim à greve. Cerca de 100 trabalhadores caminharam da sede da Cavo até o TRT, em protesto, antes da audiência.
Enquanto o impasse não se resolve, o lixo se acumula pelas ruas, causando transtornos às pessoas. A proprietária de um estabelecimento comercial na área de alimentação, Carmem Duarte, que não sabia do início da greve na segunda-feira, se surpreendeu ao ver todo o lixo que havia colocado para fora durante a noite estar na calçada na manhã, aberto e espalhado. ''O lixo da vizinhança estava igual. Eu comprei sacos de lixo industrial, chamei todos os vizinhos, distribuí e pedi que recolhessem. Estava um horror'', contou.
Os garis e coletores de lixo estão reivindicando 10% de reajuste real mais 7,47% da inflação (INPC), aumento de 20% dos vales refeição e alimentação. Contudo, a Cavo, até então, ofereceu apenas a reposição do INPC tanto no salário quanto nos vales. Por dia em Curitiba, são coletados 1,5 mil toneladas de lixo. (Colaborou Candice Dequech)

mockup