A Procuradoria de Justiça Federal de Cascavel começou a dar ‘‘nome aos bois’’ dentro do gigantesco processo de lavagem de dinheiro que já atinge mais de US$ 10 bilhões e deve chegar a US$ 30 bilhões na fronteira Brasil-Paraguai, no Extremo-oeste do Estado. Na terça feira passada, o procurador federal Antônio Celso Três apresentou denúncia contra as primeiras 13 pessoas que estão sendo investigadas há mais de um ano. Entre elas, empresários de São Paulo, Pará, Rio de Janeiro, Paraná, e o presidente nacional da Igreja Pentecostal Deus é Amor, David Martins de Miranda, de São Paulo.
Estas 13 pessoas fazem parte de uma lista de suspeitos que deve atingir mais de 200 nomes nos próximos meses. Juntos, e em operações diferentes realizadas em diversos bancos de Cascavel e Foz do Iguaçu, eles são acusados de enviar ilegalmente para o Paraguai mais de US$ 10 bilhões. Parte deste dinheiro, já lavado, retornou ao Brasil pela Ponte da Amizade . Há outras investigações em curso nas duas cidades. Elas envolvem mais uma centena de nomes e, somados, os processos apontam para a cifra astronômica de cerca de US$ 30 bilhões, que teriam sido lavados em operações ilegais na fronteira entre 97 e 98.
‘‘O dinheiro destas operações é originário de lucros ilícitos, do contrabando, do narcotráfico ou da sonegação fiscal pura e simples. Isso quer dizer que cerca de um terço dele deveria estar nos cofres públicos’’, lembra o procurador Celso Três. Em outras palavras, se as cifras globais estiverem corretas, a lavagem de dinheiro praticada em apenas dois anos representa um espólio de cerca de US$ 10 bilhões aos cofres públicos do país.
O grande cenário brasileiro da lavagem de dinheiro é Foz do Iguaçu, e há razões para isso. ‘‘Em 97, o eixo comercial Foz do Iguaçu-Ciudad del Leste movimentou US$ 5 bilhões, volume que só encontra paralelo no mundo em Miami e Hong-Kong’’, diz o procurador federal Néviton de Oliveira Guedes, de Foz do Iguaçu. As operações descobertas na praça bancária de Cascavel não chegam a 5% das que estão sendo investigadas na cidade vizinha. Mas elas caminham juntas e se emaranham na mesma teia.

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