Justiça denuncia acusados de crimes
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quinta-feira, 31 de dezembro de 1998
Vânia Moreira 
O Ministério Público de Guaíra (115 km a sudoeste de Umuarama) denunciou cinco acusados pela morte dos empresários Quinto Andreis, que tinha na época do crime 60 anos, e o filho dele, Celso Andreis, que tinha 34 anos. Ambos foram executados a tiros dia 10 de julho de 1996 em frente à casa de Quinto. O juiz Mauro Henrique Ticianelli já recebeu a denúncia.
Vão responder processo pelo duplo assassinato o empresário Milton José Andreis, 37 anos, dono da F. Andreis, uma das maiores empresas de mineração e transporte fluvial do Brasil, e o comerciante Roque Fabiano Silveira, 33, filho dos ex-prefeitos de Guaíra, Osvaldino e Ada da Silveira.
Sobrinho de Quinto, Milton é acusado de ser o mandante do crime. A F. Andreis e a empresa de Quinto, a Mineradora Floresta, travavam uma batalha judicial pelo direito de explorar a travessia entre Guaíra e Mundo Novo (MS) um negócio altamente lucrativo que acabou em janeiro deste ano com a inauguração da ponte Airton Senna.
Há 30 anos, a F. Andreis detinha o monopólio do serviço. Em 1995, a Floresta conseguiu na Justiça o direito de também explorar a travessia. Milton e Roque moram em Guaíra e vão responder ao processo em liberdade. Ticianelli marcou para 23 de fevereiro o interrogatório dos dois. Se forem pronunciados pela Justiça, irão a júri popular.
Também foram denunciados os policiais civis Luiz Siqueira da Costa, 43 anos, e Ivan Henrique Azevedo, 33, ambos de Mato Grosso do Sul, e o mecânico Ednaldo Rocha Alves, 37 anos, de Cuiabá (MT). Ednaldo e Ivan seriam os dois pistoleiros contratados para matar Quinto.
Os valores pagos pelo serviço não foram apurados. Celso foi assassinado também ao tentar socorrer o pai. Segundo a denúncia dos promotores Robertson Fonseca de Azevedo e Laércio Januário de Almeida, Ivan atirou em Quinto, enquanto os tiros que mataram Celso foram disparados por Ednaldo.
Ambos teriam sido contratados pelo policial Luiz Siqueira da Costa a pedido de Roque. Entre as provas, estão vários telefonemas de Roque para o policial civil, ligações feitas dois meses antes do crime. Também teria sido Roque quem apresentou Luiz ao barqueiro Jolcimar Luiz Pes, o Jilsão, único condenado pelo crime até agora. Pes foi julgado em agosto do ano passado e condenado a 12 anos de prisão por ter transportado os pistoleiros.
Os crimes Os matadores chegaram na casa de Quinto Andreis por volta das 18 horas numa moto. Ivan teria descido da moto e chamado o empresário. Quando saiu na varanda, Quinto recebeu quatro tiros de revólver 38.
Atraído pelos disparos, Celso correu para fora. Também levou três tiros, mas ainda entrou em luta corporal com Ivan e conseguiu tirar o capacete dele. Os dois pistoleiros fugiram em seguida e de acordo com que foi apurado no inquérito teriam sido levados de barco de volta ao Paraguai por Jilsão. A moto foi encontrada um ano depois no fundo do rio.


