Curitiba - Funcionários do Departamento Penitenciário Estadual (Depen) estiveram ontem visitando a cadeia pública de Paranaguá, no litoral paranaense, para dar uma solução aos problemas registrados por deputados que fazem parte da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa e pelo Tribunal de Justiça (TJ). Eles receberam a ordem de retirar todos os presos doentes da cadeia e encaminhar para o Complexo Médico Penal (CMP), remover até 50 presos e agilizar a situação penal dos internos. A determinação foi dada ontem pelo secretário de Estado de Justiça, Aldo Parzianello, que se disse supreso com a situação dos internos.
''Eu não sabia o que estava acontecendo lá. Pessoas presas por pequenos furtos de salame, carne e xampu. Isso é lamentável'', disse Parzianello, ouvido ontem pelos deputados da comissão. Um dos casos mais graves detectados foi do interno Jailson Borba da Silva, 30 anos, preso por furto desde agosto de 1997. ''Mesmo que ele seja condenado por furto, já pagou várias vezes a pena dele. Alguém vai ter que indenizá-lo'', provocou o deputado José Domingos Scarpellini (PSB), da Comissão de Direitos Humanos.
A cadeia de Paranaguá tem capacidade máxima para 30 presos e tinha 198 internos no dia 12 de abril deste ano. Dos presos, 46% já deveriam ter saído da unidade por terem cometido crimes menos severos como furtos, receptação e estelionato. Trinta e dois presos estavam com tuberculose e os demais tinham sarna. Por conta do problema interno da Delegacia de Paranaguá, a juíza teria mandado suspender as audiências. Os presos sobrevivem com temperatura média interna na cadeia de 49 graus. O juiz de direito Roberto Antonio Massaro informou em ofício para o Tribunal de Justiça que todos que visitam o local precisam usar máscaras especiais e que as condições do cárcere ''são péssimas, inadequadas para o recolhimento de pessoas humanas, beirando a indignidade''.
Massaro também recomendou a interdição da cadeia, que estaria infectada com sarna, piolho, tuberculose e suspeita de leptospirose. O diretor do Departamento Penitenciário Nacional, Clayton Nunes, lamentou o descaso com os presos de Paranaguá. Parzianello fez questão de ressaltar que a responsabilidade pela cadeia é da Secretaria de Segurança Pública. Mas, como presidente da Comissão Estadual de Direitos Humanos, iria intervir para evitar que os presos fossem tratados como ''animais''.

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