O juiz de Cruzeiro do Oeste, Olívio Gamboa Panucci, concedeu ontem liminar ao pedido de reintegração de posse ao proprietário da Fazenda São Luiz, de Mariluz (35 km a sudeste de Umuarama), invadida domingo por cerca de 400 famílias de sem terra. As famílias já foram intimadas da decisão, mas não pretendem deixar a fazenda. O juiz espera agora pedido do proprietário, o pecuarista José Teixeira, de Presidente Prudente (SP), para requisitar força policial para retirar os invasores da área. Os sem-terra estão acampados no distrito de São Luiz, um vilarejo com 400 moradores localizado dentro da fazenda.
Calcula-se que quase 600 famílias já estejam acampadas no local. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) informou que hoje ou amanhã devem chegar mais famílias ao local. O MST também já conseguiu liberar 4 ônibus e 5 caminhões que foram retidos pela Polícia Rodoviária de Goioerê por irregularidade na documentação. O prefeito de Mariluz, Luiz Albino Borghetti (PDT), viajou ontem a Curitiba para pedir ajuda do governo e atender os sem-terra, que pedem água, alimentos, atendimento médico e escola para as cerca de 150 crianças do grupo.
O coordenador regional do MST, Celso Ribeiro, disse que aproximadamente dois mil sem-terra, vindos do Oeste do Estado, devem se reunir na Fazenda Mariluz, que já teria sido declarada improdutiva pelo Incra. Funcionários do Incra em Curitiba disseram ontem que apenas o superintendente Petrus Emile Abi-Abib poderia dar informações sobre o processo de desapropriação da fazenda. Ele está viajando.
Segundo o coordenador do MST, pelo menos outras 10 fazendas da região que foram ou podem ser declaradas improdutivas pelo Incra, também vão ser ocupadas nas próximas semanas. Ele não revelou as áreas, mas ontem já corria boato que os sem-terra invadiriam a Fazenda Rio Bonito, em Umuarama.
As propriedades mais visadas são as de fazendeiros que não moram na região. Os pecuaristas estão apreensivos, mas o presidente da Sociedade Rural de Umuarama, Ailton Carvalho Esteves, nega que a classe esteja se armando para enfrentar os invasores. ‘‘Nós temos cobrado do governo um combate mais rigoroso às invasões de terra e aceleração dos processos de assentamento em áreas desapropriadas, para evitar a ocupação de propriedades particulares’’, disse Esteves.

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