Justiça constatou que R$ 6 milhões foram desviados
O ex-missionário Miranda Leal e a mulher Saline Atie Ramos respondem a processos nas varas cível e criminal do Fórum de Maringá por apropriação indébita de dinheiro e bens da Igreja Só o Senhor é Deus. O desvio apurado pela Justiça já chega a R$ 6 milhões. Miranda Leal também responde na Justiça Federal a uma ação por sonegação e crime contra o sistema financeiro. O ex-missionário foi por 25 anos presidente da igreja, com sede mundial em Maringá. A religião tem 1,6 mil templos e mais de 1 milhão de fiéis no Brasil e América Latina.
Em dezembro de 1999, Miranda fugiu após o falso anúncio de arrebatamento. Na ocasião, ele reuniu a imprensa para afirmar que entre o Natal e o dia 31 de dezembro de 1999, Jesus voltaria à terra para arrebatar os seguidores de Deus. Antes do Natal, o ex-missionário vendeu bens, retirou dinheiro das contas da igreja e fugiu para Londres, Inglaterra. Depois se instalou no Rio de Janeiro, de onde, por telefone, transmite programas pagos para rádios em Maringá. A atual diretoria da igreja tenta obter de volta o dinheiro desviado, mas até agora a vitória mais visível foi a garantia do direito ao uso do nome da Só o Senhor é Deus. Mesmo sendo considerado pela Justiça em lugar incerto e não sabido, Miranda Leal vem abrindo templos em Maringá, cidades da região e em Londrina, onde já instalou a sede mundial da nova igreja. Os templos foram abertos com o nome de Só o Senhor é Deus Ministério da Paz, mas a Justiça proibiu o uso do nome.
Para o advogado da Só o Senhor é Deus, Oliveira Martins dos Reis, que solicitou em outras ocasiões a prisão preventiva de Miranda Leal, a Justiça deve tomar providências para evitar que o ex-missionário continue iludindo pela fé pessoas simples e carentes. Reis ressalta o fato de que Miranda atende aos principais requisitos de uma preventiva, pois não é réu primário por causa da condenação em outras crimes e não tem residência fixa. (M.M.)





