Justiça condena UFPR por erro médico
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quarta-feira, 29 de abril de 2009
Marcela Rocha Mendes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Universidade Federal do Paraná (UFPR) foi condenada a pagar uma indenização de quase R$ 700 mil para a família de um paciente do Hospital de Clínicas (HC), vítima de erro médico. O caso aconteceu em 2003, quando, após uma cirurgia cardíaca, Marino Finetti Neto morreu, aos 26 anos, de infecção por uma gaze deixada no coração.
Em janeiro daquele ano, Finetti procurou o hospital para uma consulta, quando foi constatado um problema congênito no coração. Ele passou por uma cirurgia e recebeu alta em 7 de março. No mesmo dia, antes de deixar o hospital, o paciente passou mal e foi internado na UTI, onde faleceu. No exame de necropsia, foi encontrada uma gaze sobre a parede inferior do coração, o que teria causado a septicemia e, consequentemente, o óbito.
Na época, a companheira de Finetti estava grávida de seis meses. A família entrou na Justiça com pedido de reparação de danos morais e materiais. O juiz federal Vicente de Paula Ataide Junior condenou a UFPR a indenizar mãe e filha com pagamento mensal de dois salários mínimos, sendo que 50% será da criança, até que complete 25 anos, e o restante da companheira até a data em que a vítima, que trabalhava em uma empresa de eventos, completaria 65 anos. A família também solicitou uma pensão para a mãe de Finetti, mas, o que foi negado pelo juiz.
Por danos morais, as três receberão R$ 232.500 cada. No despacho, o juiz ainda oficiou a UFPR para que abra processo disciplinar contra os médicos envolvidos. ''Na sentença, eu condenei a UFPR porque quis avaliar a responsabilidade da universidade no caso. Mas entendo que os envolvidos precisam ter sua responsabilidade profissional, administrativa e mesmo criminal apurada pelos órgãos competentes'', explicou o magistrado.
O advogado da família, Alexandre Martins, informou que irá recorrer da sentença refazendo o pedido de indenização para a mãe da vítima. ''Ele ajudava a mãe financeiramente todos os meses'', afirma. A UFPR e o HC não quiseram se pronunciar informando não terem sido notificados oficialmente da condenação.


