Justiça condena três por erro médico
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quinta-feira, 07 de agosto de 1997
Vânia Casado 
Curitiba
O juiz da 5ª Vara Criminal, Gilberto Rezende, condenou os médicos Saint-Clair Bahls, Lilian Beatriz Andermann e Priscila Rosaly Peagle pela morte de Ugo Paolo Tempesta, de 18 anos, morto no dia 30 de março de 1991 na clínica Porto Seguro Clínica e Pensão Protegida, onde foi internado por problemas psiquiátricos. Após 6 anos de processo, a família de Ugo Tempesta conseguiu comprovar que o rapaz morreu em consequência de elevadas doses de psicotrópicos.
Saint-Clair Bahls foi condenado a um ano e oito meses de detenção, Lilian Beatiz e Priscila Rosaly a um ano de detenção, cada uma. A pena será cumprida em regime aberto. Eles foram enquadrados no artigo 121, parágrafo 3º (homicídio culposo), e artigo 29 (co-autoria no crime) do Código Penal. Conforme o processo que correu na 5ª Vara, os médicos chegaram a ministrar 77 vezes as oito cargas psicotrópicas registradas no prontuário da clínica, no período de oito dias. Consta no processo que a família internou a vítima na clínica pelo fato de apresentar distúrbios psiquiátricos.
No momento da internação a clínica Porto Seguro foi alertada, pela psicológa Patrícia Lafraia, que fez a triagem na clínica, de que Ugo Tempesta tinha bronquite asmática crônica, com histórico de sensibilidade para drogas psicotrópicas. Todas as informações prestadas pela família foram anotadas. A família garante que o rapaz gozava de plena saúde física. Segundo diagnóstico apresentado pelos médicos responsáveis, Ugo Tempesta era portador de episódio esquizofrênico agudo.
Com base nas testemunhas, o juiz acatou a acusação de que Saint-Clair Bahls foi o principal responsável pelo atendimento do paciente, mas curiosamente não teve contato pessoal com o rapaz, mesmo quando seu quadro clínico se agravou.
O médico Saint-Clair Bahls e atualmente não presta mais serviços à clinica Porto Seguro, apesar de constar como médico-proprietário. As duas médicas também não trabalham mais na clínica. Também está correndo outro processo de natureza ético-profissional contra os acusados, no Conselho Regional de Medicina. O presidente da entidade, Luiz Salim Emed, disse que o processo já está na pauta dos julgamentos e poderá ocorrer em breve.


