Justiça condena quatro por desmanche
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segunda-feira, 24 de maio de 1999
Sid Sauer 
Numa sentença de 60 páginas - o processo inteiro tem 1.800 páginas - a juíza da 1ª Vara Criminal de Campo Mourão, Mylene Rey de Assis Fogagnoli, condenou quatro dos seis acusados de participação na quadrilha de desmanche de caminhões a penas que chegam a 12 anos e 9 meses de prisão, além do pagamento de multas. A sentença foi dada na sexta-feira, mas somente ontem a juíza repassou o processo para o cartório da 1ª Vara Criminal.
Além das condenações, a juíza pediu abertura de inquérito policial contra o ex-comandante do 11º Batalhão da Polícia Militar de Campo Mourão, tenente-coronel Sidney Edson Mella; o delegado Adílson José Bonato (hoje aposentado); o ex-superintendente da 16ª SDP, Moacir Alves de Albuquerque (atualmente em Curitiba); o investigador Valteir Lopes da Silva, que ainda atua em Campo Mourão, e contra o médico Ademar Caldas, de Cuiabá (MT).
Existem indícios da participação deles nos delitos mencionados na denúncia, ressalta a juíza no final da sentença. Todos os policiais suspeitos já foram absolvidos em inquéritos administrativos. Mylene também determinou na sentença que o trator de esteira usado pela quadrilha para esconder pedaços de chassis e todas as peças recuperadas pela polícia deverão ser repassados para a prefeitura de Campo Mourão.
O comerciante Jaconias Felipe de Souza, o Jacó, 48 anos, foi condenado a 12 anos e 9 meses de prisão em regime fechado, além de ter que pagar uma multa de R$ 1,5 mil. O irmão dele, o mecânico Daniel Felipe de Souza, o Fininho, 45 anos, foi condenado a 8 anos e 3 meses de prisão e multa de R$ 420,00. Os dois irmãos estão presos em Campo Mourão.
Os outros dois condenados são os comerciantes Pedro Soares Júnior, o Pedrinho Gordo, 32 anos, com pena de 10 anos e 3 meses de prisão e multa de R$ 1 mil, e Antônio Carlos Bernardes de Souza, o Carlinhos do Som, 35 anos, condenado a 8 anos e 3 meses de prisão e multa de R$ 560,00. Pedrinho Gordo está foragido. Ele chegou a ser preso junto com os irmãos Felipe de Souza, mas fugiu em janeiro quando dois homens invadiram a cadeia de Campo Mourão.
Dos seis acusados de integrar a quadrilha, Carlinhos do Som foi o único que se entregou à polícia. Por isso ele foi solto poucos dias depois de se apresentar e é o único dos quatro condenados que ganhou o direito de apelar da setença em liberdade. O único absolvido foi o estudante Chafik Simão Júnior, 20 anos, que era dono de uma chácara onde foi achada parte dos caminhões roubados.
O sexto acusado de integrar a quadrilha, Martins de Oliveira, o Martinho, ainda não foi julgado. O processo contra ele foi desmembrado porque Martinho nunca chegou a ser preso, o que estava atrapalhando o andamento do processo contra os outros acusados.
O caso dos desmanches de caminhões começou a a ser descoberto pela Polícia Militar de Campo Mourão em setembro de 1997, numa chácara próxima ao perímetro urbano.
Entre setembro e outubro de 97, foram achadas peças e chassis de cerca de 40 caminhões em pelo menos 10 esconderijos. Os veículos eram desmontados e os chassis com a numeração dos caminhões eram cortados em pequenos pedaços e enterrados ou jogados em rios e lagos na zona rural de Campo Mourão.


