Justiça condena dupla por estelionato
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quinta-feira, 16 de outubro de 2003
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba Um ex-bancário e um corretor de imóveis foram condenados pela Justiça por estelionato contra a Caixa Econômica Federal. João Antonio Pinheiro, ex-funcionário da Caixa, e Arlindo Batista Alves foram acusados, em setembro de 2000, pelo Ministério Público (MP) de desviar e apropriar-se de dinheiro de pagamentos de financiamentos imobiliários. As verbas obtidas nas transações ilícitas seriam destinados à conta bancária de Alves, amigo do ex-bancário. O número de operações ilegais, segundo o MP, chega a 100 e o prejuízo sofrido pela Caixa beira os R$ 190 mil.
O juiz substituto da 3 Vara Federal Criminal de Curitiba, Marcos Josegrei da Silva, condenou Pinheiro a seis anos de reclusão em regime semi-aberto, multa de 600 salários mínimos (valor da época que aconteceram os desvios) e perda do cargo. Pinheiro já estava afastado da Caixa desde abril de 2000. Já o corretor de imóveis foi condenado a quatro anos de reclusão em regime aberto e multa de 40 salários mínimos. Como substituição da pena privativa de liberdade o réu pode optar por uma multa no valor único de R$ 12 mil destinada a uma entidade pública com destinação social. Os réus podem apelar em liberdade.
De acordo com a denúncia do MP, Pinheiro simulou diversas operações de cancelamento de pagamentos de parcelas de financiamentos habitacionais. Todas as simulações foram retiradas do banco de dados da Caixa por Pinheiro, uma vez que ele tinha acesso ao sistema por causa do seu cargo no banco (responsável pelas pendências contábeis de contratos habitacionais). As operações ilegais, que teriam começado no início de 1998, foram descobertas pela Caixa no final do mesmo ano. A assessoria da Caixa prefere não comentar o caso, mas fez questão de ressaltar que nenhum mutuário foi prejudicado.
Alves afirmou ser ''vítima no caso''. Segundo ele, Pinheiro pediu sua conta emprestada para depositar algumas comissões que ele recebia à parte. ''Ele me disse que não era uma transação ilegal e que todos no banco faziam. Só que ia pegar mal se a diretoria descobrisse'', contou. O corretor de imóveis afirmou nunca ter ficado com nenhuma parte do dinheiro. Ele disse que vai recorrer. A reportagem não conseguiu contactar Pinheiro e seu advogado estava viajando.


