Justiça conclui tomada de depoimentos
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sexta-feira, 21 de junho de 2002
Katia Michelle<BR>Equipe da Folha 
Almirante Tamandaré - Terminaram ontem os depoimentos das 16 pessoas acusadas de envolvimento na morte de pelo menos 20 mulheres em Almirante Tamandaré, Região Metropolitana de Curitiba. A maioria dos acusados, conforme informou um dos promotores responsáveis pelo caso, Paulo Sérgio Markowitch de Lima, negou a participação direta nos assassinatos, mas revelou a conduta de outros integrantes da quadrilha, apontada como mandante dos crimes. Segundo o promotor, essas novas informações serão anexadas ao processo e podem apontar a autoria e as circuntâncias dos assassinatos.
O promotor adiantou que um fato novo revelado por uma das testemunhas pode também desvendar um homicídio recente, mas não quis dar maiores detalhes para não atrapalhar as investigações. Os depoimentos foram realizados no Fórum de Almirante Tamandaré nos últimos dois dias, a portas fechadas. Foram ouvidos Luiz Antônio Alves da Silva, Sebastião Alves do Prado, Celso Luiz Moreira, Paulo Cesar Rodrigues, Maria Rosana de Oliveira, Antônio Martins Vidal, Valdírio Adir Mangger e André Luiz dos Santos.
A juíza Luciane Ludovico, que ouviu os acusados, deve marcar agora os depoimentos das 48 testemunhas de acusação e em seguida as de defesa, para só então dar a sentença, o que deve demorar mais alguns meses. A juíza acatou denúncia oferecida pelo Ministério Público (MP) do Paraná contra os acusados no último dia 12.
A denúncia do MP foi formulada com base nos três inquéritos conduzidos pela delegada Vanessa Alice, designada para investigar o assassinato de mulheres no município. Envolve também um quarto inquérito, que estava nas mãos de promotores, sobre o extermínio de quatro rapazes ocorrido em junho de 2000. Um dos jovens seria integrante da quadrilha. Os outros três teriam sido vítimas de queima de arquivo por terem testemunhado a morte do colega.
De 1998 para cá, cerca de 20 mulheres foram assassinadas na região de Almirante Tamandaré. As investigações comandadas pela delegada Vanessa Alice apontaram que existe uma ligação entre as mortes e que os crimes teriam sido planejados e executados por uma quadrilha, formada por seis policiais militares, um policial civil e comerciantes do município. A suspeita é de que as principais atividades da quadrilha sejam o tráfico de drogas e o desmanche de veículos.


