Justiça concede liberdade à doméstica
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segunda-feira, 22 de março de 2004
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Ajuda. Isso é o que a empregada doméstica Taglinaete Pereira Souza, 31 anos, está conseguindo após ter tentado o suicídio na semana passada e ser presa por posse ilegal de arma. Ela tentou se matar depois de saber que tem câncer no cérebro e que poderia perder a visão e a audição se fosse operada. Ontem, o juiz da 1 Vara Criminal de Londrina, João Luiz Cléve Machado, concedeu-lhe a liberdade provisória. O Ministério Público também já entrou no caso e está agilizando a continuidade do tratamento médico.
A empregada doméstica deixou a carceragem do 3º Distrito Policial (Zona Oeste) no final da tarde de ontem e a primeira coisa que fez foi dar um abraço emocionado no advogado Hamilton Laertes de Araújo, que a acompanhou desde a prisão em flagrante. ''É horrível ficar lá dentro. É uma sensação inexplicável e nunca mais quero estar num lugar destes'', disse. Mesmo assim, ela agradeceu ao apoio das outras presas. ''Sentia muita dor e as meninas conversavam bastante comigo e me deram muita assistência'', disse. Sem ter tempo para pensar na melhor coisa a fazer, Taglinaete afirmou que a coisa que mais queria era voltar para a casa da família, em Parnamirim (PE).
Araújo, que fez sua petição em verso ao juiz, informou que a doméstica iria passar a noite de ontem na casa da ex-patroa. Ele reafirmou que, se ela decidir voltar para Pernambuco, será acompanhada por uma assistente social, oferecida pela presidência da Câmara Municipal, e por uma policial militar destacada pelo comando do 5º Batalhão da Polícia Militar.
Caso ela decida ficar em Londrina, poderá contar com o apoio do Ministério Público. Segundo a assistente social da Promotoria de Defesa dos Direitos Constitucionais, Maria Giselda de Lima, Taglinaete deverá passar por uma perícia médica para definir se terá ou não direito a uma pensão de R$ 240,00. Além disso, ela deverá realizar, nos próximos dias, uma tomografia que definirá em que estágio está a doença. Se optar por ficar em Londrina, o MP também deverá alojá-la em uma instituição que possa oferecer acompanhamento psicológico durante o tratamento. ''Vou conversar com ela para definir se ela quer ficar ou ir embora. Se ela quiser se tratar aqui, temos como trazer alguém da família dela para Londrina'', completou Giselda.
Taglinaete descobriu a doença há cerca de três meses. Desesperada, abandonou o emprego e, na última quarta-feira tentou se matar disparando contra a própria cabeça. No entanto, a pistola que ela portava travou e um policial militar que passava pelo local a prendeu por posse ilegal de arma. Comovido, ele próprio se dispôs a ajudar. O delegado que a autuou, Airton Simplício dos Santos, também se emocionou com a trágica história e também ofereceu ajuda. Desde então, muitas pessoas já procuram o advogado, a polícia e os órgãos de imprensa para oferecer auxílio. ''Ela precisa muito e não vamos dispensar nenhuma ajuda'', finalizou o advogado.


