Justiça barra construção de aterros sanitários no Litoral
Luciana Pombo
De Curitiba
O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) está enfrentando problemas no Litoral do Paraná, para a construir aterros sanitários. Estava certa a implantação de aterros em Paranaguá e Guaratuba, mas as obras não puderam ser iniciadas por ordem do Ministério Público. Isso é algo que não podemos entender. Quando o lixão era numa área central ou de mangue ninguém reclamava, agora que temos um local para destinar o lixo não podemos fazer a construção dos aterros, reclama Laerty Dudas, gerente da Divisão de Resíduos Sólidos, Urbanos e de Saúde do IAP.
Lixões a céu aberto, contaminação de lençóis freáticos e dificuldades na destinação do lixo são comuns no Paraná. Setenta por cento dos municípios paranaenses sofrem com o descaso das autoridades municipais e da própria população local. Com isso, rios e lagos são usados por moradores de populações ribeirinhas como depósitos de lixo. Não é raro encontrar, mesmo em cidades grandes como Maringá, lixões públicos sem qualquer tipo de controle ambiental.
A fiscalização dos chamados lixões é uma responsabilidade do IAP, que se diz impotente para resolver todos os problemas. Não conseguimos nos entender com os prefeitos e, quando conseguimos, acontece a eleição e temos que recomeçar o nosso trabalho de orientação ambiental, diz Dudas.
Quando existem aterros organizados, falta infra-estrutura. Temos cidades pequenas com produção de apenas uma tonelada por dia, mas faltam equipamentos para dar a destinação correta ao lixo, afirma. Outro problema é conseguir locais para a construção de aterros. Ninguém quer morar próximo a um aterro sanitário e, por esta razão, as dificuldades são grandes, conta. Quando as áreas são compradas, as construções de aterros são barradas pela Justiça.
O IAP tem um programa de implantação de aterros no Paraná, com o objetivo de atender a 211 municípios. Este ano, pelo menos 100 deles deverão ser construídos. Queremos minimizar este problema, que é grave nos pequenos e grandes centros urbanos, afirma. Entre os piores lixões citados por ele, está o de Maringá, que sofre o descaso da administração municipal. Não sei de que partido é o prefeito e não me importa, me importa a destinação do lixo e ele não se preocupa com isso. É um lixão a céu aberto num estado completo de abandono, uma vergonha. A destinação do lixo em cada cidade demonstra a personalidade do prefeito, desabafa.
Mas nem sempre a administração municipal é transtorno para a correta destinação do lixo. Em Foz do Iguaçu, o lixão que era vergonhoso e a céu aberto se transformou num aterro modelo para a região. Foi construído um barraco de dois andares e com 700 metros quadrados no local, onde é feito um trabalho de educação ambiental, comemora.
De acordo com ele, apenas com a ajuda e a conscientização da população é que os lixões estarão menos sobrecarregados e terão a vida útil aumentada. Se não houver o apoio da população, não terá tecnologia que resolva o problema do lixo no mundo, afirma ele, alegando que a separação dos produtos reciclável é fundamental para diminuir a quantidade de lixo nos aterros.
Os aterros sanitários autorizados pelo IAP, apenas dez no Paraná já construídos, são realizados dentro das normas técnicas da atual legislação brasileira.





