Com uma dívida de R$ 5 milhões em precatórios, a prefeitura de Campo Largo pode sofrer intervenção pelo não pagamento desses débitos. Na primeira semana de março, o Tribunal de Justiça julga um dos quase 30 processos contra a administração solicitando a intervenção como garantia de recebimento das dívidas. A ação está sendo movida por Augusto Novakoski, que há 25 anos teve um terreno desapropriado, que não foi pago.
De acordo com o prefeito de Campo Largo, Celso Puppi, todos os precatórios que estão indo a julgamento são dívidas deixadas por administrações passadas. ‘‘O atual governo não deixou nenhuma dívida ir a juízo’’, diz. A grande maioria dos processos é fruto de desapropriação de terras, para a construção de ruas.
Augusto Novakoski é um caso. Ele teve parte do terreno de sua casa dividido ao meio para a passagem de uma rua. A dívida com Novakoski é de R$ 350 mil.
Puppi afirma que a prefeitura não dispõe de recursos para cobrir estes débitos. ‘‘Ainda mais com a situação econômica atual’’, diz. Ele diz que a receita da prefeitura tem caído nos últimos meses, cerca de 20%. Atualmente, o município arrecada mensalmente R$ 1,2 milhão.
O prefeito diz que, se a Justiça acatar o pedido de intervenção, a prefeitura não vai pagar os débitos. ‘‘Como passa na mão do governador Jaime Lerner, vamos explicar que agiremos da mesma forma que o governo estadual, limitando o pagamento de determinados valores de precatórios’’, afirma.
Segundo ele, mesmo com a implantação da montadora Chrysller, o município não tem conseguido aumentar a receita. ‘‘Quem acredita que o setor automobilístico aumenta de imediato a receita da prefeitura vive uma ilusão’’, afirma.
Puppi afirma que muitos dos tributos só entrarão no caixa da prefeitura a longo prazo, por causa da dilação. O prefeito diz que a médio prazo as empresas da cidade devem sofrer com a crise. (I.R.)

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