A Justiça concedeu ontem uma liminar que autoriza nove estudantes do 5º ano do curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual de Londrina (UEL) a anteciparem a formatura para ainda este ano. A decisão serve de precedente para outros formandos das universidades estaduais paralisadas pela greve há 86 dias.
A decisão foi do juiz da 5 Vara Cível de Londrina, Alberto Junior Veloso, baseado nos ''direitos individuais'' dos universitários, que podem ter o futuro profissional prejudicado pela mobilização de servidores e docentes. Segundo o advogado responsável pelo caso, Marcelo Leal, todos os alunos concluíram as exigências previstas no último ano do curso. ''Eles fizeram o estágio curricular e tiveram o TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) aprovado por uma banca de professores. Resta apenas a colação de grau, que pode ser antecipada legalmente'', disse Leal, referindo-se à Resolução 227/99 do Conselho Universitário.
Entre os formandos agraciados com a liminar, estão André Skowronek Rocha e Milena Bittencourt de Almeida. Rocha precisa do diploma para confirmar um estágio oferecido na Alemanha, enquanto Milena aguarda a colação para poder inscrever a residência no Hospital Escola do Jóquei Clube de São Paulo (considerado o melhor do Brasil na categoria), onde atualmente faz estágio. ''Reconhecemos a legitimidade e apoiamos o movimento grevista, mas não podemos prejudicar a vida desses formandos'', comentou o advogado.
O ofício foi encaminhado ainda ontem ao reitor da UEL, Pedro Gordan, que deve avaliar a liminar esta manhã juntamente com a assessoria jurídica. Há 19 dias, o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE) da UEL negou o adiantamento da entrega dos diplomas para todos os formandos de medicina veterinária. O principal argumento foi a paralisação total do campus. Durante o mesmo encontro, foi aprovado um aviso formal aos professores, informando que ''qualquer atividade exercida durante a greve (inclusive avaliação de TCCs) não terá validade legal''. (E.D.)

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