Justiça arquiva processo contra policiais
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sexta-feira, 21 de setembro de 2012
Danilo Marconi<BR>Reportagem Local 
A juíza da 1 Vara Criminal de Londrina, Elizabeth Khater, acatou pedido da promotoria e arquivou o processo contra três policiais militares acusados por homicídio doloso.
Segundo a denúncia, os servidores públicos participavam de uma ação que culminou no desbaratamento de uma quadrilha especializada em roubo de carros na região de Londrina. Os suspeitos guardavam quatro veículos em um esconderijo nas dependências do Parque Estadual Mata dos Godoy, na Zona Sul de Londrina. Quando chegavam com mais dois automóveis roubados, teriam reagido à voz de prisão e foram mortos. O confronto ocorreu em julho de 2011.
Um Inquérito Policial Militar (IPM) foi aberto para apurar o caso no 5º Batalhão (BPM). As oitivas foram acompanhadas pelo Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que havia instaurado um procedimento para exercer controle externo da atividade policial. ''É uma forma de acompanhar os atos referentes ao inquérito e evitar que houvesse alguma suspeição'', definiu o promotor Jorge Barreto.
No IPM, coordenado pelo capitão Celso Andrade, estavam laudos do Instituto Médico Legal (IML) e a reconstituição realizada pelo Instituto de Criminalística (IC), que descartaram a hipótese de execução. No inquérito também constavam oitivas dos parentes das vítimas e dos policiais envolvidos. O relatório apontou que não houve falha dos agentes públicos e que o caso deveria ser analisado pela Justiça, por eventual crime doloso quanto à vida.
O promotor criminal Leonardo Nogueira da Silva pediu arquivamento dos autos ao entender que houve ''excludente de ilicitude, para dizer legítima defesa, e estrito cumprimento do dever legal'' da função policial. Com os bandidos foram encontrados um fuzil 762, uma pistola e outro revólver.
''Conota-se, portanto, a existência do perigo iminente, uma vez que as vítimas encontravam-se munidas de armas desferindo disparos contra policiais, confirmado com prova testemunhal. Agiram em face de legítima defesa e estando também no estrito cumprimento de dever legal'', sentenciou a juíza Elizabeth Khater.
Parentes das vítimas ficaram surpresos com a decisão. ''É deprimente ouvir isso. A Justiça é falha, não serve para pequenos. Não esqueço do meu filho um dia sequer, mas não é de lembrança que precisava, sim de justiça'', criticou Marli dos Santos, mãe de um dos rapazes mortos no confronto.
Os policiais investigados foram reconduzidos ao trabalho nos últimos dias. Eles integram o Pelotão de Choque. ''Afastamos os policiais para que eles se recuperassem e para darmos transparência ao processo. Neste caso dos policiais serem absolvidos não existe mais óbice e eles retornam para suas funções'', esclareceu o relações públicas do 5º BPM, capitão Nelson Villa.


