Oficiais de Justiça da 1 Vara de Família de Londrina apreenderam ontem diversos carimbos e documentos em cinco cartórios distritais que funcionam irregularmente no centro da cidade. Entre eles, estava o escritório do vereador Renato Araújo (PPB), uma suposta extensão do Cartório Distrital de Tamarana.

Os oficiais iniciaram as apreensões durante a manhã no Cartório de Paiquerê, sediado em uma casa na Avenida Paul Harris, Vila Siam (zona leste da cidade), Eles cumpriram o mandado de busca e apreensão determinado pelo juiz corregedor Marco Antonio Massaneiro, da 1 Vara de Família, a pedido dos cartorários de Londrina. O proprietário da empresa, Mário Antônio Nogueira Novaes, não estava no local.

Foi a segunda vez em cinco meses que a Justiça tentou recolher os livros do cartório. Em julho deste ano, os oficiais foram impedidos de cumprir o mandado porque a casa ficou fechada durante boa parte da tarde até o anoitecer. Segundo os oficiais Sebastião Calixto Tavares e Abílio Aparecido Mesquita, que efeturam a ação, foram apreendidos na casa vários documentos que comprovam atividade ilícita, como folhas de livro de registros, cartões de assinatura e escrituras prontas para serem entregues aos clientes.

De acordo com Tavares, os funcionários do cartório alegam que a casa servia apenas como ponto de apoio para o trabalho da sede, em Paiquerê. ''Realmente não foi encontrado nenhum carimbo, mas o que temos dá para caracterizar o funcionamento irregular'', disse.

As vistorias encerraram na sala alugada há cinco anos pelo vereador Araújo e coordenada pelo filho, Júlio Cesar Araújo. Os fiscais apreenderam carimbos e documentos em branco com timbres do cartório de Tamarana, que também é de propriedade do vereador. ''Eles pegaram apenas material que tinha acabado de sair da gráfica e que seria enviado à Tamarana. Isso aqui é apenas uma escritório político e não faz parte do cartório do meu pai, montado desde 1965'', argumentou Júlio Cesar. Todo o material foi encaminhado ao Fórum e será avaliado juiz Massaneiro.

O fechamento de todos os cartórios distritais que funcionavam na sede do município foi determinado pelo Tribunal de Justiça no final do ano 2000. Os cartórios recorreram com um mandado de segurança mas foi derrubado por unanimidade pelos desembargadores.

A ação dos oficiais foi acompanhada de longe por dois tabeliões de Londrina, André Arrabal, do 3º Tabelionato; e Francisco Loures Salinet, do 4º Tabelionato. De acordo com Arrabal, todos os cartórios distritais que funcionam em Londrina são irregulares e deverão ser fechados. ''Todos os documentos, escrituras e registros que forem feitos nesses cartórios e assinados aqui em Londrina são nulos e podem ser questionados na Justiça'', afirmou, lembrando que apenas cinco tabeliões são autorizados a trabalhar na sede do município. ''Estamos lutando contra essa irregularidade desde 1995. E agora eles estão ficando acuados. Não tem mais para onde correr'', afirmou Salinet.

Segundo Arrabal, ''os cartórios distritais que continuarem insistindo em funcionar em Londrina vão estar descumprindo a ordem pela segunda vez, podendo ser suspensos e perder a função.''

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