Santo Antônio da Platina - A prefeitura de Santo Antônio da Platina entrou com um recurso no Tribunal de Justiça contra a decisão do juiz da Comarca de Santo Antônio da Platina, Amarildo Clementino Soares, que anulou a permuta entre a prefeitura municipal e a empresa Frigorífico Pérola do Norte. A permuta foi autorizada, através da Câmara, por meio da lei municipal nº 80/2000.
A permuta previa a cessão definitiva pela prefeitura do barracão do matadouro municipal, avaliado em R$ 96 mil, para a empresa Frigorífico Pérola Norte Ltda. Em contrapartida, a empresa se comprometeu a ceder uma área avaliada em R$ 22,1 mil e, em seguida, construir cinco barracões de 100 metros cada para instalação de um parque industrial na área.
Na sentença, o juiz considerou a necessidade de concorrência pública para a realização da permuta. Ele também contesta a ausência da avaliação direta dos imóveis e afirma que a permuta é lesiva ao patrimônio público. Clementino Soares também solicitou a análise de eventual prática de ato de improbidade administrativa pelo Ministério Público. O processo da permuta estava paralisado, por uma decisão liminar, desde o ajuizamento de uma ação popular em 2000.
O prefeito de Santo Antônio da Platina, Flávio Maiorky (PSDB), disse que a decisão pode provocar o fechamento definitivo dos 60 postos de trabalho do frigorífico. Ele criticou a decisão, mas admitiu rever o processo de permuta. O prefeito disse que o objetivo do recurso é preservar os postos de trabalho.
Segundo Maiorky, além do sistema de cooperativa, havia uma negociação junto a uma empresa de São Paulo para que fossem realizados investimentos e a capitalização financeira do empreendimento. Ele disse que a área e os equipamentos estão cedidos aos cooperados e que a permuta permitiria a obtenção de crédito e uma retomada na geração de empregos. ''Os investimentos poderiam ampliar os postos de trabalho em mais 180 vagas com a operação de desossa e empacotamento'', disse.
A empresa Frigorífico Pérola do Norte encerrou suas atividades em fevereiro de 2001 devido a dificuldades financeiras. A empresa chegou a empregar 150 pessoas e foi a principal arrecadadora de ICMS para o município. Na época do fechamento, a dívida da empresa foi estimada em cerca de R$ 3 milhões.
O barracão onde funcionava o frigorífico, no Km 13 da rodovia PR-439, foi cedido para os empresários por meio de um contrato de comodato celebrado em 1989 e com previsão de encerramento em 2007.
Em abril de 2001, uma cooperativa formada por um grupo de 60 ex-funcionários reativou o frigorífico. Segundo a prefeitura, a área está cedida aos cooperados pelos proprietários do Frigorífico Pérola do Norte. A cooperativa é uma prestadora de serviços com o abate de animais para pecuaristas e empresários do setor.

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