‘‘BRUXAS DE GUARATUBA’’ Justiça anula julgamento das Abagge Decisão foi tomada ontem pela 2ª Câmara Criminal do TJ, que acatou po r maioria de votos o recurso impetrado pelo Ministério Público Arquivo FolhaEM LIBERDADEBeatriz e Celina Abagge comemoram decisão do júri que as absolveu da acusação de assassinato James Alberti De Curitiba O julgamento que absolveu Celina e Beatriz Abagge, conhecidas como ‘‘Bruxas de Guaratuba’’ depois de serem acusadas da morte de Evandro Ramos Caetano, 7 anos, num ritual de magia negra em Guaratuba, Litoral do Estado, foi anulado ontem pela 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná. Evandro desapareceu no dia 6 de abril de 92. As acusadas foram inocentadas em 98 num julgamento que durou 35 dias, o mais longo da história do Brasil. O Ministério Público, no entanto, recorreu da decisão dos jurados. O TJ acatou o recurso por maioria de votos. Os advogados de defesa das Abagge deverão recorrer da decisão do Tribunal de Justiça, informou ontem o advogado Rogério Botelho. Rogério é filho do advogado Ronaldo Botelho, um dos três defensores de Celina e Beatriz. Além dele, atuam no caso os advogados Osmmann de Oliveira e Edson Vieira Abdala. Nenhum deles foi encontrado pela Folha ontem. Beatriz e Celina Abagge disseram lamentar a decisão do Tribunal. ‘‘A gente não esperava isso. Estamos amarguradas, mas temos a certeza de que seremos inocentadas tantas quantas vezes voltarmos a julgamento’’, disse Beatriz. ‘‘Não temos medo e retornaremos (ao júri) todas as vezes que for preciso. A verdade vai aparecer, como está aparecendo.’’ Segundo ela, o fato do ex-delegado geral da Polícia Civil João Ricardo Képes Noronha ter sido acusado de tortura e envolvimento com o tráfico de drogas em depoimento à CPI do Narcotráfico é mais um prova da inocência dela e da mãe. Noronha presidiu o inquérito que apurou a morte de Evandro Caetano. Um dos pontos fortes da defesa durante o julgamento foi a alegação de que as acusadas tinham confessado o crime sob tortura. Na análise do promotor de Justiça José Geraldo Gonçalves, que deverá atuar no novo julgamento juntamente com os promotores Dicesar Krepski e Paulo Sérgio de Lima, Celina, a filha e todos os outros acusados deveriam ser condenados. Além das Abagge, figuram como suspeitos do homicídio Osvaldo Maçaneiro, David de Souza, Vicente de Paula, Sérgio Cristofolini e Airton Bardelli. Todos estão em liberdade. ‘‘O processo é rico em provas que asseguram, sem nenhuma dúvida, que todos os réus mataram aquela criança’’, afirmou. Para Gonçalves, a anulação do julgamento era inevitável por conta de uma ‘‘irregularidade insanável’’. Segundo o promotor, a lei estabelece que, para um júri, podem ser convocadas, no máximo, cinco testemunhas por réus. No julgamento de Celina e Beatriz, o máximo seria, portanto, dez testemunhas de defesa. No julgamento realizado em 98 foram ouvidas 13, apesar dos protestos do promotor Celso Ribas, que autou naquele julgamento. A acusação apresentou somente dez testemunhas.