Lino Ramos
De Londrina
A juíza Sílvia Maria Gomes de Oliveira Testa, que responde pelas Varas Criminal e Infância e Juventude de Cambé (13 quilômetros a oeste de Londrina), está analisando pedido de liminar apresentado ontem pelo promotor Leonildo de Souza Grota, requerendo a interdição e a suspensão do projeto da Casa de Passagem, destinada à recuperação de adolescentes infratores dependentes de drogas.
A entidade pertence à União Missionária de Assis e Região (Uemar) e funciona desde o final de novembro na Rua Esperança, Jardim Alvorada. Porém, os vizinhos começaram a reclamar de problemas na unidade e chegaram a encaminhar um abaixo-assinado ao Ministério Público.
Segundo o promotor Leonildo Grota, surgiram reclamações de que os adolescentes ficavam sobre os muros, mexendo com mulheres e crianças. Os vizinhos também alegaram que haviam muitas brigas no interior da entidade. ‘‘Houve uma sessão de exorcismo e os pastores disseram que era para expulsar o demônio que estava no corpo dos adolescentes’’, explicou.
Após receber um abaixo-assinado de 50 moradores, o promotor solicitou ao Conselho Municipal da Criança e Adolescente de Cambé que fizesse uma vistoria na instituição. Leonildo Grota obteve um relatório, concluindo que a Casa deveria ser fechada. Segundo a comissão de vistoria, a entidade não possui espaço físico para atender os adolescentes e não havia profissionais para dar atendimento aos internos.
A Casa de Vivência também não tinha registro para o funcionamento da unidade ou o desenvolvimento do projeto, emitidos pelo Conselho, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente. ‘‘O Ministério Público não é contra o projeto mas não pode permitir que a instiuição seja colocada em um local inadequado’’, explicou o promotor.
A Folha não conseguiu ouvir a direção da Uemar, localizada em Assis, no interior de São Paulo.

mockup