Justiça afasta diretoria da Santa Casa
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 18 de julho de 2005
Guilherme Gouveia<br> Reportagem Local 
Uraí A juíza Kelly Sponholz Moleta, da Comarca de Uraí (26 km a oeste de Cornélio Procópio), concedeu liminar afastando de suas funções o provedor e mais quatro diretores da Santa Casa de Uraí. A Justiça acatou um pedido do município, que impetrou uma ação civil contestando os critérios de uso do dinheiro público no hospital. A prefeitura argumenta que os recursos municipais destinados ao Pronto-Socorro estariam sendo utilizados de forma irregular.
De acordo com juíza, a prefeitura repassa anualmente ao hospital R$ 240 mil para despesas com insumos, equipamentos e folha de pagamento. ''Na ação, a prefeitura argumenta que esses recursos são destinados exclusivamente ao Pronto-Socorro, mas que estariam sendo usados em outros setores'', relata. A atual administração também contesta a legalidade do convênio, já que foi celebrado pela ex-prefeita Iracelis Borghi (PMDB), mulher do vereador e provedor afastado da Santa Casa, Osnir Borghi. ''O município usou o princípio da independência dos poderes na ação, argumentando que a prefeita não poderia repassar dinheiro público a uma instituição que era administrada pelo marido'', afirmou. O convênio, segundo ela, foi firmado no início da administração anterior e passou por vários aditivos e reajustes.
Na ação, o município aponta também supostas irregularidades na eleição da atual diretoria da Santa Casa. Os diretores não teriam respeitado o estatuto da instituição ao dispensar a realização de uma Assembléia Geral Extraordinária.
O provedor afastado, Osnir Borghi, negou a existência de irregularidades em sua administração. Para ele, tudo não passa de perseguição política. ''Nunca tivemos problemas com isso, apresentamos nossa prestação de contas e nunca ninguém falou nada. O dinheiro da prefeitura é aplicado integralmente no Pronto-Socorro; o problema é que as pessoas não conhecem como funciona um hospital. Isso não passa confusão política pra me prejudicar'', acusou Borghi.
Quanto ao fato de dirigir uma instituição beneficiada pela administração da mulher, Borghi disse não ver problemas legais ou éticos. ''Não tem nada a ver. Eu não controle esse recursos sozinho e nem era responsável pela assinatura de cheques. A prestação de contas sempre foi feita às claras'', argumentou.


