Uma possível estratégia jurídica deixou revoltada, ontem, a secretária Ana Paula Colonheis, 31 anos, mãe de Amanda e Lucas, de 10 e 7 anos respectivamente, mortas no dia 30 de junho de 2001 por atropelamento. A audiência que deveria ouvir as testemunhas de defesa e acusação contra o condutor do veículo, o estudante Leandro Antônio Bertola, foi adiada pela segunda vez. O estudante responde em liberdade a acusação por homicídio culposo (sem intenção de matar).
Ana Paula classificou como ''manobra'' a ponderação feita pelo advogado de Bertola, José Amaro. Ele solicitou o adiamento da audiência alegando problemas de saúde à juíza da 4 Vara Criminal, Carla Pedalino. Conforme anexos do processo, Amaro apresentou um atestado médico que apontava que teria que permanecer em repouso por 15 dias. O pedido foi aceito pela juíza e a oitiva de cinco testemunhas de defesa e outras cinco de acusação foi remarcada para o dia 31 de outubro.
''Porque as testemunhas de defesa não compareceram hoje?'', questionou. ''Parece que, neste País, você pode fazer o que quiser, porque ninguém responde por nada'', desabafou Ana Paula. O assistente de acusação, Áureo Nogueira, comentou que a justificativa de Amaro é legal desde que seja verídica.
As cinco testemunhas de acusação também ficaram inconformadas com o adiamento e chegaram a chorar abraçadas à mãe das vítimas. A professora Priscila Pereira Garcia, de 23 anos, testemunhou o acidente e garantiu que o sinal estava fechado e que o veículo conduzido por Bertola ''estava há mais de 70 km por hora''. O choque aconteceu num semáforo da avenida Inglaterra (zona sul). ''As crianças estavam de mãos dadas e a Amanda ainda olhou o sinal para atravessar na faixa de pedestres'', recordou.
De acordo com a mãe das crianças, uma semana antes de morrer, Amanda tinha concluído um curso na Escola de Trânsito da Polícia Militar mas não teve tempo de receber o diploma nem a medalha que havia ganhado por ter se destacado nas aulas.
A juíza foi procurada mas declarou que não poderia comentar o caso. O advogado José Amaro não retornou as ligação da reportagem.

mockup