O advogado e jurista René Dotti, professor da Universidade Federal do Paraná, que prepara um livro sobre os 50 anos da Declaração Universal dos Direitos do Homem, acredita que o trabalho nas penitenciárias é fundamental para a recuperação dos presos. Ele defende a criação de pequenos presídios agrícolas e industriais em cidades-pólos do Estado, para que os presos possam cumprir as penas perto de onde vivem. O jurista critica o modo de vida dos detentos e afirma que a Declaração não é respeitada.
Para Dotti, somente trabalhos artesanais, usados como terapia na maioria dos presídios do País, podem causar enlouquecimento. O jurista usa o livro ‘‘Recordações das Casas Noturnas’’, no qual o escritor russo Dostoiewski conta sua experiência na prisão, para justificar seu argumento. ‘‘O artesanato transforma o preso num semi-louco’’, teria dito o escritor.
O vice-diretor da Prisão Provisória de Curitiba, André Hendrick, afirma que há um ‘‘grande esforço’’ das autoridades do presídio para que o trabalho seja uma rotina para todos os cerca de 580 detentos. Mesmo assim, muitos deles recusam o trabalho. Segundo ele, pelo menos 75% dos presos trabalham. O serviço vai desde a lavoura a uma padaria, que produz 13 mil pães ao dia. O produto é consumido nos presídios do Depen.
Dotti defende ainda a construção de mais presídios em regime semi-aberto e o aumento de penas alternativas. Essa também é a postura do coordenador-geral do Depen, Cezinando Paredes. O coordenador vê nas penas alternativas uma forma de evitar o inchaço das penitenciárias. Atualmente, segundo ele, só no interior do Paraná 412 detendos têm o benefício, fiscalizado pelo Patronato Penitenciário do Estado. (J.A.)

mockup