O requerimento do médico Antônio da Costa Funfas Neto para a abertura do processo de cassação do vereador Orlando Proença Bonilha (PDT) por suposta falta de decoro parlamentar, encaminhado à Câmara de Londrina na semana passada, deve ser imediatamente arquivado pela Mesa Diretiva da Casa por falta de embasamento legal. Esta é a sugestão do parecer elaborado pelo procurador jurídico da Câmara, Antonio Carlos Vianna, a pedido do presidente Renato Araújo (PPB).
Caso a Mesa acate a sugestão do parecer, o requerimento do médico Funfas Neto poderá ser arquivado mesmo sem ser apreciado pelo plenário da Câmara, na próxima sessão. O médico embasava a solicitação de abertura do processo de cassação no chamado ‘‘caso Comurb’’, que apurou no ano passado a denúncia de contratação irregular de 212 funcionários pela Companhia Municipal de Urbanização (Comurb). Naquele episódio - que ainda está sendo investigado através de processo pela 10ª Vara Civil -, o vereador Bonilha foi acusado de ter recebido, de maneira indevida, vários cheques de pagamentos salariais de funcionários que haviam sido por ele indicados para contratação na Comurb.
‘‘O Regimento Interno da Câmara veta a volta para rediscussão em plenário de um tema já arquivado, ao menos que tenha havido algum fato novo que justifique esta medida. O requerimento do médico não apresenta nenhum fato novo. O plenário arquivou aquela denúncia e decidiu aguardar os resultados das investigações e a decisão da Justiça. Isto não pode ser mudado agora, sem esta decisão e sem um fato novo’’, afirmou Antonio Carlos Vianna. A sentença da Justiça só deve sair no ano que vem.
O vereador Bonilha disse que já esperava por este parecer do procurador da Câmara indicando o arquivamento do pedido de sua cassação. Ele reafirmou que o requerimento do médico Funfas Neto deve ter ligação com a possível abertura de processo para cassação do mandato de Jaci Aguiar (PDT), também por falta de decoro parlamentar. ‘‘É muito estranho, muita coincidência, que este requerimento tenha chegado à Casa exatamente neste momento de tramitação da denúncia contra o Jaci. Eu estou tranquilo e acredito que em breve a Justiça também arquivará a denúncia contra mim, porque não cometi nenhum crime.’
Jaci Aguiar nega veementemente qualquer ligação com o médico Antônio Funfas Neto, e acusa Bonilha de estar ‘‘delirando, precisando ser internado com urgência.’’ A denúncia contra Aguiar e o pedido de instalação de uma Comissão Processante que pode levar à cassação será votado pelo plenário na sessão da próxima terça-feira. Ele está sendo acusado de formação de quadrilha e falta de decoro parlamentar por suposto envolvimento com tentativa de extorsão contra cooperativas produtoras de leite.

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