Júri simulado absolve Bentinho de D. Casmurro
Lucinéia Parra
De maringá
A diretoria da Biblioteca Municipal Pioneiro Manoel Pereira Camacho Filho, em Maringá, criou uma forma diferente de comemorar a Semana Nacional do Livro e da Biblioteca. Ontem de manhã, na sala de júri do Fórum de Maringá, foi realizado o julgamento literário do personagem Bentinho, da obra Dom Casmurro, escrita em 1899 por Machado de Assis. A obra, um clássico da literatura brasileira, apresenta um célebre enigma: Capitu, mulher de Bentinho, era ou não uma adúltera?
A narrativa do livro impossibilita uma resposta precisa sobre a traição de Capitu. Na simulação, o protagonista se transformou em réu. Alunos do 1º e 2º ano do ensino médio dos colégios Theoaldo Miranda Santos e João XXIII julgaram Bentinho, acusado de calúnia contra Capitu.
De acordo com a bibliotecária Zery Monteiro, a obra foi escrita sob o ponto de vista do personagem Bentinho, não dando nenhum direito de defesa a Capitu e aos demais personagens. Por isso que pensamos em fazer um trabalho inédito, julgando Bentinho por calúnia, explicou. Os alunos se prepararam desde agosto e receberam assistência jurídica e orientação de dois advogados.
Na sala de júri, os estudantes interpretaram os papéis da juíza, advogado de acusação, promotor, assistentes da promotoria, advogada de defesa, assistentes da defesa, escrivã, policiais, oficial de Justiça e testemunhas. O réu foi interpretado pelo contador de histórias Ricardo Staiger.
O julgamento literário teve início às 9 horas e acabou ao meio-dia. Os advogados de defesa e de acusação tiveram 45 minutos cada para expor suas teses. O voto dos jurados foi secreto e Bentinho foi absolvido por 4 votos contra 3.
De acordo com a obra, Bentinho suspeitava da traição de Capitu com o amigo Escobar. A semelhança física do filho com o amigo seria a prova do adultério. Os estudantes decidiram inocentar Bentinho, considerando que Capitu realmente foi uma mulher adúltera.





