Júri pode sofrer interferências
Submeter os casos de crimes graves como homicídio e infanticídio ao julgamento popular também gera questionamentos sobre até que ponto membros leigos da sociedade têm capacidade de julgar e condenar alguém. Afinal, historicamente, o povo tem condenado pessoas que posteriormente se tornaram heróis ou heroínas.
Omar Baddauy ensina que o júri popular nasceu de uma reivindicação da burguesia na época do absolutismo. Os nobres, que sustentavam o Estado, passaram a exigir que fossem julgados por iguais, e não por alguém que tivesse mais poder que eles, como o rei. ''Em todos os países civilizados existe essa instituição. É uma forma de deixar que a sociedade se manifeste e julgue por se tratar de um crime muito grave'', ressalta Baddauy, lembrando que, no Brasil, houve uma época em que o júri também atuava nos crimes contra a economia popular. ''A competência do júri pode ser ampliada ou suprimida, como querem algumas pessoas.''
O professor admite que casos muito midiáticos, como o de Dorothy Stang, ou de Isabella Nardoni, acabam possbilitando um julgamento mais subjetivo. ''O júri pode sofrer interferência tanto a favor quanto contra. É por isso mesmo que há uma criteriosa seleção. E mesmo os juízes também são pessoas passíveis de erro.''
Ele assinala que o júri que condenou o fazendeiro no caso Dorothy é a mesma que o absolveu, e a mesma que reclama de impunidade. ''Foram outras pessoas, mas o corpo social é o mesmo'', afirma, deixando no ar a reflexão sobre o papel da sociedade na busca pela justiça. (A.I)





