Júri do caso Vanda está marcado para hoje
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segunda-feira, 11 de maio de 2015
Antoniele Luciano<br>Reportagem Local 
Londrina Adiado no início do ano por falta de testemunhas da defesa, o julgamento da artista plástica Vanda Pepiliasco está previsto novamente para acontecer hoje. Ela é acusada de ter matado a empregada doméstica Cleonice Fátima Rosa, há 22 anos, no apartamento da família. De acordo com a 1ª Vara Criminal, o júri popular deve ter início às 9 horas, no Fórum de Londrina.
Em março, quando o julgamento deveria ter ocorrido, o advogado de Vanda, Walter Bittar, alegou que testemunhas importantes do processo, entre elas o esposo da ré, não tinham sido intimadas oficialmente. O endereço da família, hoje residente em Cuiabá, no Mato Grosso, naquela época ainda não teria sido informado à Justiça.
Segundo o promotor de Justiça responsável pelo caso, Ronaldo Costa, Vanda não é obrigada a estar presente em seu próprio júri popular, desde que seu advogado faça sua defesa. A expectativa, no entanto, é que a ré compareça, já que em março o próprio Bittar teria se comprometido a trazê-la ao Fórum em maio. "O caso é de 1993, mas a prescrição ainda depende do tempo da pena", pontua.
Costa relata que, apesar de um dos filhos da ré ter sido processado junto à Vara da Família por envolvimento no crime, apenas a mãe responde judicialmente pelo homicídio. "Quando foi oferecida a denúncia, Leonardo foi acusado de ter participado da morte. A promotoria pediu a investigação dele também, mas ele completou 21 anos antes de ter sido julgado, por isso o processo foi extinto", observa o promotor.
Conforme o advogado de Vanda, a ré deve comparecer ao Fórum hoje independentemente de intimação. Ele reforça que, em março, o adiamento do júri não se deu pela ausência da cliente, mas pela falta de testemunhas convocadas. Para esta terça-feira, ele assinala que apenas duas questões poderiam levar a um novo adiamento do julgamento. "Uma delas seria uma decisão sobre o pedido de desaforamento que fizemos à Justiça, solicitando que ela seja julgada em outro fórum do Paraná. Em Londrina, há a possibilidade de julgamento parcial porque há uma celeuma em volta do caso", pontua Bittar, ao completar que não se sabia ainda se as testemunhas iriam comparecer hoje ao julgamento.
O advogado salienta ainda que, mesmo com endereço em Cuiabá, a família de Vanda continua vindo a Londrina esporadicamente.
O processo se arrasta ao longo das décadas por conta de recursos impetrados pela defesa da ré. A sentença de pronúncia de Vanda, determinação do magistrado para que o caso seja julgado pelo Tribunal do Júri, foi anulada pelo menos três vezes ao longo de 22 anos.
Antes de Vanda ser apontada como a autora do assassinato, uma segunda empregada que trabalhava no apartamento da família foi acusada. Luzia Colombo havia encontrado Cleonice morta e teria sido torturada pela polícia para confessar o crime. Ela passou dois dias presa e depois desmentiu a primeira versão dos fatos. A doméstica entrou com ação contra o governo e foi indenizada anos mais tarde.


