Júri decide que Voltolini é inocente
Promotor Luís de Albuquerque não se conforma com a decisão e diz que vai pedir inquérito para investigar ação da PM no caso

Mauro Frasson
IndignaçãoAlbuquerque: ‘‘Minha revolta não tem a ver com os votos dos jurados, mas com quem põe uma pessoa naquela situação, se essa pessoa for inocente’’Menina de 10 anos
foi morta depois
de atirar pedras
na loja do acusado
James Alberti
Inocente. Esse foi o veredito de seis dos sete jurados do Tribunal do Júri que devolveu, na madrugada de ontem, a liberdade ao comerciante Mariano Antônio Voltolini, depois de um ano e quatro meses prisão. Ele era acusado de ser o autor do disparo de espingarda que matou a menina Franciele de Oliveira, de 10 anos, no dia 31 de dezembro de 1996. A criança foi morta em frente ao brechó Mundo Teatral, de propriedade de Voltolini. O promotor Luís Eduardo Silveira de Albuquerque não se conforma com a decisão do júri e disse que vai recorrer da sentença.
Albuquerque também pretende pedir abertura de Inquérito Policial Militar para investigar as supostas agressões de policiais militares a Voltolini, versão sustentada pela defesa. ‘‘Que se puna então quem fez essa farsa ou que se fechem as portas da Justiça’’, disse, indignado. Das seis testemunhas ouvidas no julgamento, quatro afirmaram que teriam visto ou ouvido as agressõs. Apenas duas testemunhas, uma de acusação e outra de defesa, negaram que tenham ocorrido os espancamentos. Uma prima da vítima, hoje com 16 anos, afirma que viu o comerciante com uma arma na mão numa janela da loja na hora do crime.
‘‘Minha indignação e revolta não tem a ver com os votos dos jurados, mas com quem usa uma situação tal e põe uma pessoa naquela situação (de acusado), se essa pessoa for inocente’’, disse o promotor. Albuquerque afirmou que não houve a busca da verdade por parte da defesa, apenas ‘‘jogo de poder’’. Para ele, o acusado foi inocentado porque a menina era pobre e foi taxada de prostituta e traficante.
O advogado de defesa de Voltolini, Osmann de Oliveira, reafirmou ontem que acredita que a morte da criança tenha sido ‘‘queima de arquivo’’, relacionada ao tráfico de drogas. ‘‘O Ministério Público devia assumir o compromisso de evitar que crianças frequentem o baixo mundo de madrugada’’, criticou. Oliveira não concordou com as afirmações do promotor e disse que Albuquerque, para acusar, teve os mesmos documentos que ele para defender.
Oliveira, que também conseguiu absolver Celina e Beatriz Cordeiro Abagge, afirmou que ainda não decidiu se vai processar o Estado pelo tempo que seu cliente ficou preso. A Folha não conseguiu localizar Voltolini ontem. Uma funcionário do brechó Mundo Teatral disse que ele estava estressado e tinha viajado. O advogado do comerciante também disse não ter como manter contato com seu cliente.

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