Júri confirma sentença de Paraíba
Sid Sauer
O Tribunal do Júri de Goioerê (72 km a oeste de Campo Mourão) condenou, na noite de sexta-feira, o ex-chefe do almoxarifado da Prefeitura, Admílson de Souza Pereira, o Paraíba, 31, a 18 anos e 2 meses de prisão. A pena é a mesma que ele tinha recebido no primeiro julgamento, realizado há um ano e anulado seis meses depois pelo Tribunal de Justiça. Paraíba é o autor dos tiros que feriram o então prefeito de Goioerê José Paulo Novaes (PDT) e mataram a comerciante Neusa Ely Farias, em junho de 1995.
O advogado de defesa, José Borges dos Santos, usou a tese de que não existiam provas de que Paraíba havia recebido dinheiro para matar o prefeito. Ele também argumentou que Novaes não teria sido pego de surpresa. A tese, no entanto, foi rejeitada pelos jurados.
O segundo julgamento de Paraíba não movimentou tanto a população de Goioerê quanto o primeiro. A sala de Tribunal do Júri chegou a ficar lotada, mas não houve filas do lado de fora como no ano passado. O esquema de segurança foi forte. Somente dentro do Fórum ficaram 15 policiais militares. Outros 15 ficaram do lado de fora e quatro viaturas da PM foram colocadas de plantão no local. Paraíba ficou o tempo todo usando colete a prova de balas. Ninguém entrou no Fórum sem passar por um detector de metais.
Em seu depoimento, Paraíba voltou a afirmar que agiu sozinho. Ele negou que o ex-vereador Edilaldo Machado da Cruz, que está foragido, tenha sido o mandante do atentando. O réu admitiu apenas que comprou dele a escopeta usada no crime por R$ 55,00 e um revólver. Paraíba disse que tinha acusado Cruz num depoimento anterior porque teria sido ameaçado na delegacia. Ele também inocentou Ronaldo Wilson Hernandes, já condenado a 17 anos e 6 meses de prisão, e Fábio Henrique Affonso, absolvido ano passado.
No depoimento, Paraíba repetiu a história de que Novaes queria que ele matasse dois membros do Sindicato dos Servidores de Goioerê. Um deles era o próprio advogado de Paraíba, José Borges dos Santos, que também é assessor jurídico do sindicato. O outro é o presidente Paulo Mendes. Estou muito arrependido, disse o réu. Toda a minha família está sofrendo.
Novaes negou que tivesse desentendimentos com Paraíba no período em que ele trabalhou na Prefeitura de Goioerê. Ele disse que ficou surpreso com o fato do atentado ter sido praticado por pessoas do seu relacionamento e também negou que tivesse usado a comerciante morta no atentado como escudo, como afirmou Paraíba. A sentença foi dada pelo juiz Nestário Queiroz por volta das 21 horas. Na promotoria atuou Neosino Moura de Oliveira. Paraíba foi levado ontem para a Penitenciária de Maringá.





