Edson MazzettoEmpresário Nelson Chechelaki (em primeiro plano); e os réus Mauro Fischer e Flávio Kuhnen (tapando o rosto)Flávio Kuhnen, 22 anos, e Mauro Fischer, 24 anos, foram condenados pela Justiça da Comarca de Cascavel pelo assassinato da empresária Leocáris Chechelaki, em 22 de abril de 1996, um dos crimes de maior repercussão na cidade nos últimos anos. Kuhnen foi condenado a 30 anos e Fischer a 26 anos de prisão. Nelson Chechelaki, 58 anos, que era marido de Leocáris, disse ontem, depois de tomar conhecimento da sentença, que ‘‘foi feito justiça’’. ‘‘O episódio doloroso fez com que eu mudasse minha concepção. Antes, eu era defensor da pena de morte e hoje tenho opinião diferente’’, revelou.
A sentença dada pelo juiz Givanildo Constantinov, da 1ª Vara Criminal, considerou o fato do crime ter sido caracterizado como latrocínio porque Flávio Kuhnen e Mauro Fischer roubaram o carro da empresária.
Leocáris Chechelaki, na época com 53 anos, mãe de três filhos, participava com o marido da direção do principal laboratório fotográfico de Cascavel. Ela havia saído de casa para ir ao trabalho, quando seu Vectra foi invadido por Flávio, apoiado por Mauro, que seguia atrás em um Passat. A empresária foi levada para um matagal e executada com dois tiros.
O Vectra foi vendido no Paraguai por R$ 3,5 mil e depois recuperado pela Polícia Civil de Cascavel. Flávio e Mauro foram presos em 17 de junho de 96 em uma pensão em Cascavel. O primeiro admitiu ter sido o autor dos disparos, revelando que havia dado um rosário a Leocáris para que ela rezasse antes de ser morta.
Nas investigações, a Polícia encontrou com os dois cerca de 40 números de placas de carros que poderiam tentar tomar em assalto. Flávio chegou a dar depoimentos dizendo que havia estabelecido relações mais íntimas com Leocáris Chechelaki, o que foi depois descartado pela Polícia.
Para Nelson Chechelaki, que chegou a acompanhar depoimentos dos latrocidas no Fórum, a tentativa de ‘‘manchar a honra’’ de Leocáris foi ‘‘o segundo e brutal crime’’ pelos reflexos que poderia ter sobre a família. Ontem, disse que recebeu a sentença ‘‘com tranquilidade’’ e, comparando com outros crimes semelhantes, avaliou que o processo correu rápido, entre Polícia e Justiça.‘‘A pena aplicada a Mauro Fischer talvez pudesse ser até um pouco menor porque ele não participou diretamente do assassinato’’, considerou.
Nelson Chechelaki afirmou ter mudado seu conceito quanto a punição de criminosos, mesmo em caso de crimes brutais. ‘‘Eu defendia a pena de morte, mas hoje acho que este tipo de criminoso é melhor punido se cumprir pena quebrando pedra’’, afirmou. Kuhnen e Fischer não tinham antecedentes criminais antes do assassinato.

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