O pedreiro Osmir Aparecido Correia da Cruz, 25 anos, foi condenado ontem em Ponta Grossa a cumprir 55 anos e três meses de prisão. Osmir é acusado de ter cometido cinco assassinatos na localidade de Roxo Roiz, distrito de Guaragi, entre os meses de agosto e novembro de 1999. Foram assassinados o casal Cláudio, 55 anos, e Erotildes Kavalkicvics, 53 anos; os internos da Casa do Caminho, Paulo Mereht, 8, e Daniel Rodrigues Vaz, 9, e o primo de Osmir, Júnior Aparecido de Souza, 17.
A pena de 55 anos refere-se à morte de Cláudio, Erotildes e Júnior. O assassinato das crianças ainda não foi a julgamento porque depende de um exame de DNA para identificação oficial dos corpos. Além dos três assassinatos, Osmir foi condenado por ocultação de cadáver, falsa identidade e corrupção de menores.
As primeiras vítimas de Osmir foram Cláudio e Erotildes. Eles eram proprietários da Chácara Maravilha, no Guaragi, e Osmir trabalhava para eles. O assassinato dos dois teria acontecido para que Osmir pudesse se apropriar dos bens do casal. A polícia só descobriu que o casal estava morto porque os filhos começaram a procurar insistentemente pelos pais. O próprio Osmir dizia aos filhos de Cláudio e Erotildes que eles haviam se mudado para Guarapuava. Sem acreditar, os filhos iniciaram uma busca nos arredores da chácara e encontraram o corpo de uma criança. A partir daí a polícia intensificou as investigações e encontrou os corpos do casal e de mais duas pessoas, através de indicações de Osmir.
O menino Paulo Mereht, 8, era interno da Casa do Caminho, que também fica no Guaragi. Ele fugiu da casa e passou a ‘‘morar’’ com Osmir, sua companheira e seus dois primos numa subestação da Rede Ferroviária Federal, que estava abandonada. Foi assassinado porque ouviu Osmir e seu primo Júnior planejarem um roubo de cavalos. O outro menino, Daniel Vaz, de 9 anos, teria presenciado o assassinato de Cláudio, e por isso foi morto.
Por último, Osmir matou o seu próprio primo, que era cúmplice nos outros assassinatos. Na cidade ele ficou conhecido como o ‘‘Bruxo do Guaragi’’, porque na sua casa foram encontrados, além dos pertences de Cláudio e Erotildes, copos contendo sangue, galinhas mortas e charutos. Ele negou que os assassinatos estivessem ligados à prática de magia negra.
Quando foi preso, em 99, Osmir assumiu a autoria de todos os crimes. Mas na Justiça, durante interrogatório, mudou sua versão dizendo que só tinha matado o primo de 17 anos e que teria sido Júnior o autor dos demais assassinatos. Foi essa a versão que ele repetiu ontem, mas que não convenceu o júri. O julgamento pela morte das duas crianças ainda não tem data marcada.

mockup