Juri condena assassinos de Amanda Rossi
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sábado, 01 de outubro de 2011
Michelle Aligleri <br>Reportagem Local 
Foram 22 horas de julgamento até que fosse anunciada a decisão do juri. Dayane de Azevedo e Alan Aparecido Henrique foram considerados culpados pela morte da estudante Amanda Rossi, no dia 27 de outubro de 2007, na casa de máquinas da Universidade Norte do Paraná (Unopar) no jardim Piza, zona sul de Londrina.
Dayane foi condenada por homicídio triplamente qualificado a 23 anos e Alan por homicídio duplamente qualificado a 21 anos de prisão, ambos em regime fechado. A pena dela é maior por que recebeu pagamento para cometer o crime. O julgamento foi presidido pela juíza Elizabeth Khater. O juri entendeu que a vítima foi atraída e agredida por Dayane na casa de máquinas da piscina, mas o responsável por asfixiar e matar a jovem foi Alan. Há ainda um terceiro acusado de ter participado do crime. Luiz Vieira da Rocha não foi julgado com os demais porque seu advogado conseguiu ''separar'' o seu processo dos demais acusados. Existe um pedido para que o réu seja julgado fora de Londrina.
Os pais e familiares de Amanda Rossi acompanharam o julgamento durante todo o tempo - desde o início, às 9 horas do dia 30 de setembro até o anúncio do resultado pela juíza, às 6h30 do dia 1º de outubro. Para a mãe de Amanda, Maria Francisca Rossi, a justiça foi feita em partes. ''A Amanda deve estar feliz, mas eu ainda sinto que tem muita coisa para ser esclarecida. Acho que a justiça ainda não foi feita por completo'', desabafou.
A mãe disse que o julgamento aliviou a família, mas não muito. ''Eles poderiam até ter pegado a pena máxima, mas enquanto não for esclarecido o motivo a gente não vai ficar tranquilo. Que motivo eles teriam para fazer aquilo com a Amanda?'', questionou. Maria Tereza disse que se sente tranquila mesmo sabendo que os advogados de defesa vão entrar com recurso. ''É um direito deles. Como a gente luta para ver a justiça feita, eles têm o direito de recorrer'', afirmou.
A promotora Suzana Feitosa Lacerda considerou muito positivo o resultado do julgamento. ''É uma vitória. Eu confio muito no conselho de sentença e, apesar de todas as dificuldades, eu sabia que o resultado caminhava para ser positivo'', afirmou. Ela elogiou a postura dos jurados. ''Eu penso que os jurados foram muito atentos à apresentação da prova, levando em conta o confronto das questões periciais com a delação da ré Dayane'', avaliou.
Apesar disso, a promotora lembrou que o trabalho ainda não está terminado. ''Nós temos pela frente o julgamento do outro participante da execução do crime e ainda temos toda a investigação relativa ao mandante ou aos mandantes'', destacou. Ela elogiou a família de Amanda. ''É preciso louvar a postura da família que foi muito serena durante o julgamento, confiando na justiça'', concluiu.
Além deste processo, que julgou os responsáveis pela morte efetiva da estudante, há ainda um segundo processo que corre em segredo de justiça e investiga o mandante do crime. A promotora se mostrou confiante e afirmou que os trabalhos estão sendo bem conduzidos.
Progressão
De acordo com o advogado criminalista Gabriel Bertin de Almeida e professor da PUC Londrina, os dois anos e nove meses que Dayane e Alan passaram presos serão abatidos na pena total. ''A progressão do homicídio qualificado é de 2/5. Isso significa que em tese eles vão passar 2/5 da pena presos em regime fechado, mais este mesmo tempo em regime semi-aberto. Esta questão depende de algumas variantes, entre eles o comportamento dos presos'', disse. Ele afirmou que no regime semi-aberto a cada três dias de trabalho e estudo um é reduzido da pena. Se o regime de progressão for realmente realizado sobre os 2/5 da pena, Dayane deve ficar no máximo 12 anos presa e Alan um pouco menos.


