Júri condena assassino de estudante
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de novembro de 1997
Cascavel 
Edson Mazzetto19 anos
O Fórum
de Cascavel
ficou
lotado
durante o
julgamento
de Ênio
Paulo Nunes
de Lima;
sessão
começou na
manhã de
terça-feira e
terminou
aos 45
minutos
de ontemO chapeador Ênio Paulo Nunes de Lima, 23 anos, pai de dois filhos, foi condenado a 19 anos e 10 meses de prisão pelo assassinato da estudante Mariângela Schelle, 15 anos, dia 18 de março no centro de Cascavel. O julgamento iniciado na manhã de terça-feira foi encerrado aos 45 minutos de ontem.
Ênio Paulo Nunes de Lima matou a estudante por suspeita que ela teria roubado sua carteira numa lanchonete. O chapeador usou um pedaço de madeira com pregos para bater na cabeça da menina, perfurando-lhe um dos olhos. Mariângela retornava da escola e apenas passou pela frente da lanchonete, mas o chapeador, que havia bebido muito, imaginou que ela tivesse entrado e furtado sua carteira, segundo disse ao ser preso.
Ele seguiu a adolescente, encostou uma caneta em suas costas para que pensasse ser uma faca, arrastou-a para um matagal, onde tirou suas roupas (sem praticar violência sexual) e a seguir matou-a com um pedaço de madeira que encontrou no local. Ele levou um brinco e o cinto da adolescente, jogando-os depois em um matagal, e fugiu para Foz do Iguaçu.
Policiais que investigaram o caso chegaram facilmente à sua identificação. Dias depois, quando apareceu, foi preso e confessou o crime, classificado como homicídio qualificado. A pena poderia chegar a 30 anos de prisão.
A sessão do Júri foi presidida pelo juiz Givanildo Constantinov, na acusação atuou o promotor Marcello Melluso e na defesa o advogado Adilson Martins. Ênio confessou o assassinato naturalmente e o fato de estar bêbado não ameniza sua culpa. Mesmo assim, a defesa tentou negar a autoria do crime, insistindo em contradições nos depoimentos de testemunhas.
O corpo de jurados foi formado por quatro homens e três mulheres, que decidiram pela condenação por seis votos a um. Antes do início da sessão, familiares e amigos de Mariângela Schelle exibiram alguns cartazes com fotos da adolescente, pedindo justiça. O pai da adolescente, empresário Rodolfo Schelle, disse estar satisfeito com a pena aplicada.


