O vendedor ambulante Francisco Camargo Carmona, 23 anos, foi condenado a 16 anos de reclusão pela morte do enteado Leonardo Henrique dos Santos, de 1 ano e 5 meses. Ele foi submetido a júri popular no Tribunal do Júri de Londrina e recebeu a pena por homicídio qualificado (15 anos) agravado por motivo fútil e meio cruel (um ano). Os jurados rejeitaram, por unanimidade, a teoria da defesa de que Carmona não seria autor do crime. O júri manteve ainda, por maioria de votos (quatro a três), a qualificação do crime, entendendo que o vendedor tinha a intenção de matar a criança.
Baseado na pequena diferença de votos, o advogado de defesa Hamilton Laertes de Araújo, vai recorrer da sentença e pedir a desqualificação do crime para lesões corporais seguida de morte. A pena para este crime é de quatro a 12 anos de reclusão. ‘‘Negamos a autoria do crime por desencargo de consciência. Mas ficou claro que Carmona não tinha a intenção de matar o enteado, mas apenas corrigi-lo. Tanto que ao perceber seu estado levou-o correndo para o hospital’’, argumentou. Durante todo o julgamento que durou até as 16 horas, a defesa tentou mostrar que Carmona era um bom pai.
O crime aconteceu na madrugada do dia 10 de novembro de 96 em um dos quartos do Hotel Stand (centro) de Londrina. Carmona morava no hotel com Erlaine Cristina de Paula, 19 anos, mãe de Leonardo. O menino morreu em consequência de traumatismo craniano, resultado do espancamento. Ele ficou internado, em coma, no Hospital Infantil durante 12 dias.
Testemunhas prestaram depoimento à polícia afirmando que, naquela madrugada, ouviram a criança chorando e várias batidas na parede. Disseram que chegaram a chamar por Carmona para saber o que estava acontecendo mas ele teria respondido que estava tudo bem. Na sequência, ele teria saído do quarto dizendo que a criança estava passando mal e levado Leonardo para o hospital.
‘‘Ele sempre espancava o menino. Não gostava dele e quando a mãe tentava interferir, ele batia nela também’’, contou a babá de Leonardo, Eugênia Ferreira de Oliveira, de 19 anos. Ela acompanhou o julgamento. ‘‘O advogado de defesa fez o Leonardo parecer um menino mau. Mas é mentira. Ele era uma criança ótima e carinhosa, mas de tanto apanhar do padrastro, tinha medo dele’’, comentou pouco antes da sentença. No inquérito, todas as testemunhas afirmam que Carmona ‘‘judiava’’ do enteado e o espancava constantemente.Mario CesarO vendedor ambulante Francisco Carmona: culpado pela morte do enteado Leonardo, de um 1 e 5 mesesCélia Baroni

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