O Tribunal do Júri de Londrina condenou ontem a seis anos o guarda noturno João Bianor de Queiroz, 76 anos, acusado de matar com dois tiros o menor Éverton da Silva, de 14 anos, por causa de um pedaço de pão com carne. De acordo com o processo, o crime ocorreu no dia 7 de maio de 96, em frente ao Centro Comunitário do Jardim Nossa Senhora da Paz, do qual Queiroz era presidente. Após uma discussão, Éverton teria sido alvejado com um tiro no ombro e outro na cabeça. Por ser primário e ter bons antecedentes, o réu irá reponder o processo em liberdade.
O advogado de defesa, Walter Bittar, considerou uma vitória a pena mínima aplicada a Bianor porque anteriormente ele estava sendo acusado por um homicídio doloso, cuja pena poderia chegar a 30 anos de prisão. Mas Bittar anunciou que irá recorrer ao Tribunal de Justiça (TJ) pedindo a nulidade do julgamento.
Segundo o advogado, o corpo de jurados votou cinco quesitos reconhecendo a tese de legítima defesa, mas houve um erro no sexto quesito, quando um dos jurados foi contrário ao questionamento se o réu teria usado moderadamente os meios de defesa. ‘‘Houve um erro de votação e não se julgou o excesso culposo de legítima defesa. O julgamento está nulo’’, afirmou. Ainda segundo o advogado, João Bianor não teria negado pão a Éverton da Silva e só atirou porque o menor teria partido em sua direção com um pedaço de pau.
O irmão da vítima, Elias da Silva, 22 anos, afirma que Éverton estava com outras crianças em frente ao Centro Comunitário pedindo pão. ‘‘Eu espero justiça, uma pessoa de 14 anos ainda é criança, um moleque de 14 anos não tem noção da vida. Para Elias, a desclassificação do crime foi um absurdo porque João Bianor pode ficar em liberdade. ‘‘O que ele fez com meu irmão foi um absurdo. Vamos esperar a justiça de Deus. Hoje meu irmão poderia estar aí cheio de saúde’’, lamentou.

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