Júri absolve mulher e condena marido a 4 anos
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quarta-feira, 19 de fevereiro de 1997
Marccio W. Varella Sucursal de Maringá 
O Tribunal do Júri de Maringá absolveu no início da madrugada de ontem a dona-de-casa Maria de Fátima Ferreira, 30 anos, e condenou seu marido Adenilço Alves, 29 anos, a quatro anos de reclusão em regime aberto. O casal foi acusado de assassinar o ex-amante de Maria, José Carlos Crispim, 31 anos, no dia 19 de fevereiro de 96.
O julgamento teve início na manhã da última terça-feira. Trabalhou na defesa dos réus o advogado Israel Batista de Moura, de Marialva, e na acusação o promotor Valdecir Guidini de Moraes.
O inquérito policial acusou o casal de homicídio duplamente qualificado (dissimulação, surpresa e motivo fútil), considerado crime hediondo. No depoimento prestado à polícia cinco dias após o crime, os dois disseram que atraíram Crispim para uma cilada.
Maria teria marcado um encontro com ele num restaurante à beira da rodovia que leva a Campo Mourão. No encontro, Maria diria a Crispim que o caso entre eles estava terminado, apesar dos telefonemas e da insistência dele. Os dois se conheceram no frigorífico Naviraí, de Maringá, onde trabalhavam.
Maria disse que os dois caminharam em direção a uma estrada de terra, sendo seguidos pelo marido. Alves, soldado da PM, estava armado com um revólver da corporação. Ele teria dado a Maria uma pistola Beretta, calibre 22, com seis balas, emprestada de um colega da polícia. Crispim sentiu que estava sendo seguido e, quando viu Alves, tentou segurar Maria. Alves teria dominado Crispim apontando-lhe seu revólver, enquanto Maria descarregava sua pistola no amante.
Em juízo, o casal mudou a versão. Disse que a pistola Beretta pertencia a Crispim e que ela disparou quando Alves, desarmado, tentava conter o amante da mulher, que queria agredir o PM. O casal disse que a primeira versão, onde os dois afirmaram ter premeditado o crime, foi feita sob ameaça de tortura por parte dos policiais.
O promotor Moraes lembra que exames periciais provaram que a Beretta pertence a um soldado da PM, Domingos Cano, que confirmou em juízo ter emprestado a arma para Alves. Moraes argumentou que Maria poderia estar insistindo para voltar ao amante.
Crispim levou 6 tiros, um deles na mão, um no braço, um na testa e 3 no ouvido, à queima-roupa. Além disso, tinha lesões no joelho, o que indica que foi executado. O júri aceitou a segunda versão do casal. Nesta versão, a arma teria disparado durante a briga entre Crispim e Alves. Os jurados entenderam que Maria não concorreu para o crime e que Alves agiu sob domínio de violenta emoção e injusta provocação da vítima.


