Marcelo AlmeidaFimO advogado Figueiredo Basto abraça Celina e Beatriz Abagge ao fim do julgamento, comemorando a absolviçãoA absolvição de Celina e Beatriz Abagge da morte do menino Evandro Ramos Caetano por 4 votos a 3 e por 5 votos a 2, respectivamente, revoltou os pais do menino e ‘zerou’ todas as investigações feitas até agora sobre a identidade do corpo encontrado em Guaratuba. Pela sentença dada pela juíza Marcelise Weber Lorite, às 23h45 de sábado no salão lotado do Fórum de São José dos Pinhais, os jurados inocentaram as rés quanto à materialidade do crime, entendendo que o corpo achado em um matagal em Guaratuba não é o de Evandro Ramos Caetano. O promotor Celso Ribas, que deu um soco na mesa e abandonou o plenário ao ouvir a sentença, afirmou que vai pedir imediatamente a anulação do julgamento.

Albari RosaRonaldo Botelho, advogado de defesa, foi até a casa das Abagge participar da festa organizada por familiares e amigos das résCom a decisão dos jurados, Celina e Beatriz foram automaticamente absolvidas dos crimes atribuídos a elas e que seriam votados em seguida, entre eles o de sequestro, cárcere privado e ocultação de cadáver. A sentença foi comemorada com gritos e palmas pela família e amigos das rés. Os pais de Evandro, Ademir e Maria Ramos Caetano, deixaram o Fórum chorando e disseram que nunca tiveram dúvidas de que o corpo era mesmo de seu filho. ‘‘Eu reconheci aquele corpo, como é que agora eles ficam dizendo que não era ele?’’, perguntava revoltado o pai de Evandro. ‘‘A justiça não foi feita’’, declarou. Maria Ramos Caetano, que teve várias crises de choro durante os debates, não quis falar com a imprensa porque estava muito nervosa. No final da noite, ela passou mal e acabou sendo internada.

Albari RosaAdvogados de defesa vibram com o veredito de ‘inocente’ no fórumA fase de debates do julgamento teve início às 13 horas de sábado, com a manifestação da acusação, e terminou às 21h35, quando os jurados se reuniram para votar os quesitos. Tanto a promotoria quanto a defesa fizeram por várias vezes alusões a Deus, à bondade humana, ao amor, e leram poemas durante os debates. Trechos da oração do ‘‘Pai Nosso’’ e do Hino Nacional também foram citados.
O promotor Celso Ribas falou durante três horas, questionando a veracidade dos álibis apresentados por Celina e Beatriz. Ele releu partes do processo e por várias vezes mostrou fotos do corpo do garoto. Logo no início do debate, Ribas apontou para as rés chamando-as de ‘‘mentirosas’’, gritando que elas tentaram enganar o júri de São José dos Pinhais quando afirmaram terem sido torturadas.

Ribas, que pediu a pena máxima de 51 anos de prisão para as rés, disse que a defesa tentou apenas levantar dúvidas sobre o processo para conseguir a absolvição. No final, ele mostrou fotos do garoto Evandro junto com seus irmãos e chorou ao recitar um poema dedicado aos pais do garoto. ‘‘Se uma flor tu perdes, um anjo tu ganhas. Descanse em paz, ó Evandro’’, encerrou. Os pais e parentes do menino também choraram.
A defesa dividiu sua explanação em três fases, cada uma conduzida por um dos advogados. Antonio Augusto Figueiredo Basto, que abriu o debate, fez várias comparações entre o julgamento de Celina e Beatriz e os julgamentos realizados durante o período da Inquisição, quando várias mulheres foram queimadas em fogueiras acusadas de bruxaria . ‘‘Não estão diante de vós, senhores jurados, dois monstros, duas bruxas. Estão aqui duas vítimas de um processo sem nenhuma prova’’, disse.
Os advogados de defesa voltaram a apresentar a fita cassete contendo a confissão feita na época por Celina e Beatriz, comprovando que houve cortes durante as frases ditas por elas. Os advogados fizeram também críticas diretas ao governo do Estado na época e ao então secretário de Segurança Pública, Moacir Favetti, que coordenou as ações da polícia no caso. Faltando 17 minutos para encerrar o tempo destinado à defesa, Celina teve uma crise hipertensiva e precisou sair carregada do plenário. Segundo a família, sua pressão arterial chegou a 22 por 12. Ela foi atendida pelos médicos e somente voltou ao salão do júri para ouvir o anúncio da sentença.
O julgamento, que durou 35 dias e se transformou no mais longo da história do País, foi encerrado quase três horas antes do previsto. A promotoria abriu mão do tempo destinado à réplica e também não houve a tréplica da defesa. Depois do encerramento, as rés foram direto para casa, no bairro Santa Quitéria, em Curitiba.

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