O excesso de concentração, o ritmo exaustivo de leitura de mais de 1.500 páginas de documentos e informações minuciosas sobre o crime, e a impossibilidade de conversar com familiares, ver televisão, ler jornal ou telefonar já começaram a abalar a disposição de alguns jurados. Visivelmente interessados no caso - mas fortes candidatos ao tédio depois de uma semana sem pausas para descontração - os sete jurados do Caso Evandro começaram a fazer à juíza pedidos pouco comuns. Um deles referia-se ao último capítulo da novela Anjo Mau, que os jurados pediram que fosse gravado e apresentado durante o horário de repouso. O outro, realizado neste final de semana, foi um desejo incontrolável de comer churrasco.
‘‘Todo mundo imagina que só aconteçam coisas mirabolantes durante um julgamento, mas há situações corriqueiras como em qualquer outro lugar’’, afirmou a juíza. Segundo os psicólogos, as pausas são mesmo necessárias para reativar o poder de concentração dos jurados.
‘‘É difícil alguém conseguir registrar qualquer informação depois de mais de quatro horas de atenção concentrada’’, diz a psicóloga e terapeuta comportamental Paula Gomide. Ela afirma que, para que a mente humana possa estar atenta, são necessárias pequenas pausas para repouso a cada 50 minutos - tempo necessário para ‘‘zerar’’ o stress psicológico. Para a psicóloga, os jurados deveriam estar sendo submetidos a sessões de relaxamento e meditação para aliviar a tensão diária.
O stress é ainda maior, segundo a psicóloga Maria Luiza D’Ávila Pereira, porque o crime que está sendo julgado envolve uma criança, duas mulheres como acusadas e detalhes de um ritual de magia negra. ‘‘Tudo isso tem um peso muito forte no íntimo de cada pessoa, e torna ainda mais difícil a decisão de cada um’’, afirma.

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