Jurados de morte são protegidos pela PM
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segunda-feira, 19 de maio de 1997
Da Redação 
O delegado do 3º Distrito Policial de Londrina, Jorge Barbosa, não sabe o que fazer com os seis presos de confiança que estão jurados de morte. Após a rebelião ocorrida no último sábado, os presos foram colocados em uma sala do DP, que está sendo vigiada por policiais militares.
Os presos de confiança, cujos nomes não foram divulgados pelo delegado, são acusados de cobrar propina dos outros detentos. As denúncias, feitas por familiares dos detentos, incluem pagamento de taxa para uso do telefone, transferência de celas e desvio de dinheiro e comida entregues pelas famílias.
Conforme o delegado, entre eles há alguns presos por homicídio, assalto e tráfico de drogas. Ele diz que desconhecia a situação denunciada pelos parentes dos presos e esclarece que os detentos considerados mais habilitados vinham auxiliando no trabalho de servir a refeição aos demais.
A prática contraria determinação do delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Leonyl Ribeiro, depois que 44 detentos fugiram do 3º DP, em fevereiro deste ano. O delegado Jorge Barbosa disse ontem que essa é a única maneira de prestar o serviço, já que o Estado não contrata pessoal para a função.
Ontem de manhã, um engenheiro do Decom foi verificar a situação do 3º DP, que ficou parcialmente destruído durante a rebelião. As grades das celas foram derrubadas e os sistemas elétrico e hidráulico destruídos. A dificuldade, no caso de se fazer uma reforma, é que os detentos continuam aqui, disse o delegado.
Barbosa demonstra preocupação com a transferência de alguns detentos para o 2º DP, entre eles um dos líderes da rebelião, Luciano Pereira Costa, conhecido como Japonês. O preso, lembra o delegado, foi removido do 2º DP depois de matar um outro detento.
Os 35 detentos que permaneceram no 3º DP - ontem mais um foi transferido - passam o dia no pátio onde costumam tomar sol e ocupam o mesmo espaço. A única grade que os separa do resto da delegacia é a do corredor.


