Eles são vizinhos de porta, se consideram amigos e carregam uma sina: deixaram de estudar no Colégio João Bettega há cerca de um mês porque foram jurados de morte por outros garotos. Os relatos de J.C.P., 15 anos, e R.J.P.R., de 16 anos, são confirmados pelo diretor Luiz Cláudio Pereira. Enquanto J. pensa em se transferir para o turno da manhã, a família de R. já planeja se mudar da Vila Formosa na tentativa de viver mais tranquila.
J. não sabe porque está sendo perseguido. Pouco antes da páscoa, um homem encapuzado se aproximou de sua casa e disparou dois tiros de revólver. O tio estava em frente a residência e foi atingido nas pernas. R. sabe porque querem tirar sua vida. Ele resolveu defender uma colega das agressões de outro garoto. Dias depois, se encontraram numa das ruas da vila. O adolescente lembra que o rapaz disparou dois tiros em sua direção. Como a distância era grande, ele não acertou. ‘‘Saí correndo’’, disse.
Os dois rapazes ameaçados deixaram de sair de casa. A televisão e e a conivência com os familiares passaram a ser as únicas atividades que marcam o dia dos garotos. Chamar a polícia? Nem pensar. Além de represálias mais graves, os rapazes alegam que os policiais demoram para atender uma ocorrência na Vila Formosa. (D.V.)

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