Jurada frustra julgamento de Serápio
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quinta-feira, 15 de março de 2001
Erika Wandembruck De Curitiba 
O julgamento de Daniel Serápio, acusado de participar do assassinato do advogado Luiz Renato Crovador, foi anulado ontem de manhã, no Tribunal do Júri de Curitiba, porque uma jurada se manifestou durante a audiência. É uma vergonha para o Paraná criminosos como Juarez França Costa (Caboclinho) e Paulo Mandelli estarem soltos, disse ela, indignada, ao ouvir do acusado que ambos o teriam torturado durante diligência policial.
Eles me obrigaram a confessar a participação no crime, afirmou o réu. O julgamento foi adiado para o dia 3 de maio, às 9 horas, no mesmo local. Serão ouvidos além de Serápio, os acusados Setembrino Nórdio e Edson Zucco. Ainda não foi confirmada a presença da mulher da vítima, Vera Crovador.
Eles me afogaram na banheira que fica dentro do prédio do Centro de Operações Especiais Policiais (Cope), argumentou o réu. Imediatamente, a jurada se posicionou sobre o assunto questionando o porquê da existência de uma banheira dentro da delegacia. Dissolvo o conselho de sentença em função da violação da incomunicabilidade dos jurados, declarou o juiz Luiz Zarpelon depois da manifestação da jurada.
Serápio responde processo porque teria entregue a arma que foi usada no crime aos acusados do assassinato. Zucco e o menor C.M. teriam recebido a arma em frente ao Shopping Mueller, no dia 3 de novembro de 99, entre 8 e 10 horas. Minutos depois, o advogado foi baleado.
Durante o depoimento, Serápio afirmou que era amigo de Milis dos Santos, garoto de programa apontado como amante da mulher do advogado. Confirmou que Milis teria oferecido R$ 10 mil para que matasse o criminalista, mas o réu não aceitou. Desmentiu as declarações da época em que afirmou ter ficado com R$ 1 mil para dar cobertura aos pistoleiros durante a fuga. Disse ainda que depositou em sua conta um cheque de Vera no valor de R$ 120,00 e repassou o dinheiro a Milis assim que foi descontado. Disse que não sabia a origem do dinheiro. Milis ainda está foragido.
O acusado declarou que morou com Milis por um mês e meio. Alugou em seu nome um apartamento para Milis morar, já que o mesmo tinha o nome sujo na praça. Confirmou que meia hora antes de ser preso, Milis teria ligado para ele avisando que estava indo para o Recife e não sobre sua prisão.
Desde o início, a sessão foi tumultuada. A madrasta do acusado, Marlene Espinola, entrou na sala onde estavam as testemunhas de defesa para conversar com o marido, o que é proibido. O juiz ordenou que ela assistisse ao julgamento sob custódia.
Outra surpresa foi a presença do acusado de contratar os pistoleiros, Setembrino Nordio. Ele estava assistindo ao julgamento, quando foi descoberto pelo promotor Ribas. Apesar de ser proibido, o juiz permitiu que Nordio permanecesse no local. O acusado afirmou que seu advogado tinha sofrido uma cirurgia e não pôde comparecer para ouvir as declarações. Ele não quis conversar com a imprensa.


